
Todos os anos, pela época natalícia, Paris volta a brilhar e faz aquilo que sabe melhor: dar-nos a sua magia. As iluminações de natal transformam a cidade num cenário digno de ver e de contar, onde até o quotidiano parece ganhar mais brilho. Com a chegada do Natal, as ruas, praças e monumentos da capital francesa iluminam-se com milhões de pequenas luzes que atraem não só parisienses, mas turistas e curiosos de todas as idades e de todo o mundo. Mais do que um ritual sazonal, as luzes de fim de ano tornaram-se um verdadeiro acontecimento cultural e económico, capaz de redefinir a atmosfera da cidade e de despertar o que há de mais mágico em cada um de nós.
A avenida mais famosa de Paris inaugura, todos os anos, a temporada oficial de luzes. As árvores que ladeiam os quase dois quilómetros entre a Place de la Concorde e o Arco do Triunfo são envolvidas por anéis luminosos que mudam de cor, criando um corredor cintilante. A cerimónia de inauguração, no dia 16 de Novembro, foi acompanhada por uma figura pública, Léa Seydoux, marcando simbolicamente o início das festividades.
Para muitos comerciantes, este é o momento mais aguardado do ano. As iluminações atraem centenas de milhares de visitantes, revitalizando cafés, lojas e galerias que dependem fortemente do fluxo turístico.
Se a Champs-Élysées é o cartão-postal, outros bairros também dão alma à cidade. Montmartre aposta num brilho mais intimista, Le Marais mistura tradição com arte contemporânea, e Saint-Germain-des-Prés mantém a sua elegância discreta, iluminada com sobriedade e charme.
Uma visita às Galeries Lafayette impõe-se para quem tem crianças (os graúdos também apreciam bastante), entre as vitrinas animadas e o seu pinheiro de Natal, este ano com 16 metros de altura sob a sua icónica cúpula Art Nouveau, transformando-se num dos cenários natalícios mais deslumbrantes de Paris.
Para os parisienses, todas estas luzes são mais do que decoração: são um ritual. Um passeio ao fim da tarde, uma fotografia improvisada, uma pausa para respirar beleza no meio da correria. No fundo, é Paris a lembrar-nos que, mesmo nos dias mais escuros, há sempre espaço para um pouco de encanto.
Importante é valorizar que nos últimos anos, Paris tem apostado em soluções mais sustentáveis, com tecnologia LED e horários reduzidos, provando que é possível manter a tradição sem exageros energéticos.
E claro, não dá para falar do Natal parisiense sem mencionar os mercados de Natal, que espalhados por vários bairros, trazem aquele cheiro irresistível de vin chaud, crepes feitos na hora e artesanato local, uma delícia. São lugares perfeitos para passear com as crianças, comprar pequenos presentes ou simplesmente aproveitar a atmosfera acolhedora que toma conta da cidade.
No meio desta magia natalícia, encontramos um detalhe que liga Paris à Póvoa de Varzim. Na “maior casa do Pai Natal da Europa” na região parisiense, os fatos natalícios são também confeccionados pela costureira poveira Fátima Ribeiro, com loja aberta em Aver-o-Mar. Com tradição de trabalhar para o estrangeiro, Fátima Ribeiro confeccionou trajes especialmente para este mercado natalício — um toque poveiro no coração do natal parisiense.
Texto e fotografias: Mónica Fins