Voz da Póvoa
 
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O Ecléctico Centro Desportivo e Cultural de Navais

O Ecléctico Centro Desportivo e Cultural de Navais

Freguesias | 1956 | 8 Julho 2020

Tempos houve em que a bola era de trapo, a rua transformada em campo de futebol e os jogos intervalavam aos cinco e terminavam aos dez. Os jogadores de pé descalço, agora jogam de chuteiras no relvado ou sintético, mas pelas freguesias o amor é o mesmo de sempre, a camisola. Há sempre alguém que faz pela terra e pela sua amada, dessa forma nasce o Centro Desportivo e Cultural de Navais, que foi fundado a 16 de Dezembro de 1981 por um grupo de 11 sócios. Unidos conjugaram interesses culturais e desportivos já existentes na freguesia de Navais.

“Ainda era solteiro e já apoiava o Centro Desportivo. Cheguei a ser Delegado da direcção, numa altura em que só tínhamos uma equipa de futebol, agora temos todos os escalões de formação e já tivemos futebol feminino. Nos anos 80, transportava uma equipa de árbitros de Navais quando iam apitar jogos fora de portas. Sempre apoiei o clube e paguei as minhas quotas. Depois, fui convidado a assumir a presidência há três anos. Estou no segundo mandato”, recorda André Fernandes Moreira, que conta 54 anos e é natural de Navais.

 O empresário agrícola e comerciante de Produtos Hortícolas sente orgulho no clube que lidera: “Já arrecadamos vários títulos nos campeonatos concelhios. Temos boas condições para a prática do futebol, graças ao antigo presidente da Junta Alberto Silva, um homem que se empenhou muito para que Navais tivesse um campo de futebol. No início o local nem acessos tinha, mas ele desbravou caminho e abriu ruas. Naquele tempo até poderíamos achar que era um pouco distante do centro da freguesia mas, as condições criadas facilitaram na proximidade. As pessoas trabalham por amor à causa e a Junta apoia nas despesas de manutenção, água e luz”.

André Moreira explica que cada modalidade desportiva tem um Vice-Presidente: “São pessoas que gostam do que fazem, dão do seu tempo e só ganham alegrias e dores de cabeça. Temos o atletismo federado, o ciclismo e o ténis de mesa. Na parte cultural temos uma biblioteca na Junta de Freguesia. No ciclismo, a Clássica da Primavera é organizada há 24 anos pelo Centro Desportivo, sendo a mais antiga do país. Temos alguns patrocínios que ajudam o clube, mas os atletas também assumem a sua parte nos custos de alguns equipamentos. O Centro Desportivo tem três carrinhas mas não é suficiente. Temos mais de duas centenas de atletas a praticar desporto no clube. Por isso, o meu agradecimento aos pais dos atletas pelos apoios que dão no transporte. É com o empenho de todos que o clube funciona”.

A paragem de toda a actividade por causa da pandemia continua a afectar a maioria das modalidades: “Foi um pouco duro, mas a ordem de encerramento abrangeu todos os clubes, amadores e profissionais. Mantivemos sempre o contacto com a Associação de Futebol Popular e com a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. No início houve alguma hesitação, porque custava acreditar no que estava a acontecer, mas a realidade trouxe obrigações, que ainda não sabemos quando terminam. Faço um apelo aos jovens atletas que estão ligados às nossas actividades desportivas, que tenham calma, porque tudo irá voltar ao normal. Estamos a contar com eles, que são a razão da existência do Centro Desportivo e Cultural de Navais”.

Em jeito de conclusão, André Moreira diz que o clube está no bom caminho: “O que queremos é dar continuidade ao bom trabalho que é feito. Acho que se mantivermos este rumo o clube tem futuro. Os sonhos vão-se realizando ao longo do tempo”.


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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