Voz da Póvoa
 
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Conhecer o MAPADI em Terroso é Partilhar o Conhecimento

Conhecer o MAPADI em Terroso é Partilhar o Conhecimento

Freguesias | 5 Março 2021

Há um querer bem em benefício do outro e de todos nós. Recuar a 6 de Novembro de 1976, é descobrir a data da fundação do MAPADI – Movimento de Apoio de Pais e Amigos ao Diminuído Intelectual. Depois de uma passagem pela Giesteira, onde os primeiros passos firmes de um grupo de pessoas convictas deram asas à escolaridade para 30 alunos com deficiência, a 2 de Junho de 1990 era inaugurada a sede com a resposta à escolaridade, formação e actividades ocupacionais. A evolução natural de resposta ao cidadão com deficiência estendeu a realidade a um outro sonho e, o Movimento MAPADI vê nascer, a 27 de Novembro de 2004, um novo pólo institucional, que integra um Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), Lar residencial, residências autónomas e o CEP – Centro de Emprego Protegido, foi edificado no lugar de Sejães, freguesia de Terroso, Póvoa de Varzim.

“Com o envelhecimento natural do cidadão com deficiência e a ausência dos pais ou de retaguarda familiar alargada, começamos a ter a necessidade de uma resposta institucional de Lar Residência. Isto é, uma estrutura que substituísse a perda da família por morte. Comprámos um terreno em Terroso e conseguimos através do apoio da Segurança Social e da Autarquia, criar um Pólo naquela freguesia, onde criámos a primeira unidade Lar Residencial, com um financiamento PIDDAC para 40 utentes. Simultaneamente, criámos 30 lugares de Centro de Actividades Ocupacionais, naquele pólo de Terroso, que permite a quem está no lar vir para a cidade, ou seja, a Sede, e os da cidade vão para as Actividades Ocupacionais, quebrando a perspectiva asilar. Esta dupla vertente foi criada em 2004”, recorda António José Ramalho de Campos Ferreira.

Nasceu em 1956, em Gandra, Esposende, mas ainda jovem tornou-se poveiro. É licenciado em Assistente Social, foi professor e desde 1983 que exerce a sua actividade profissional na Câmara Municipal. Em 1985, entra por convite para a direcção do MAPADI, e nos últimos 7 anos é seu presidente. 

A dificuldade em conseguir, pós formação profissional, a colocação no mundo do trabalho, despertou uma outra necessidade: “Tivemos uma taxa global de empregabilidade na ordem dos 56%, mas ficamos aquém dos nossos objectivos, que passavam por encontrar uma situação laboral. E aproveitámos o espaço de terreno disponível em Terroso para criar o Centro de Emprego Protegido, também em 2004. Neste momento, temos 12 cidadãos com deficiência, contratados a ganhar o mesmo que os outros e a funcionar nesse espaço, em duas áreas – Lavandaria Industrial, 6 utentes, com 4 profissionais, que os orientam e acompanham no trabalho, e na Hortofloricultura, 6 formandos que passaram a ser nossos colaboradores, mais 2 funcionários que os acompanham, nesta área”. 

E acrescenta: “Na lavandaria, além da resposta interna para o Lar Residencial, potenciamos a sua capacidade para responder a estruturas hoteleiras, restaurantes ou estruturas de IPSS. Foi uma forma de rentabilizar o trabalho do cidadão com deficiência e simultaneamente, ter um encaixe financeiro, isto com o apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Na parte de Hortofloricultura, conseguimos dar uma resposta à população em geral. Vendemos os produtos hortícolas na sede e entregamos nos restaurantes ou nas próprias habitações das pessoas”. 

As questões laborais resolvidas promoveram outras soluções, explica António Ramalho: “Foi a cereja no topo do bolo. Como tínhamos o terreno onde fizemos a estrutura do Lar Residêncial, criámos 12 Residências Autónomas, para duas pessoas cada, dando resposta a 24 utentes que têm autonomia. Ou seja, gerem a casa e estão a trabalhar no exterior. Toda esta estrutura conjunta veio atender às necessidades daquelas pessoas que não têm retaguarda familiar, mas também à situação daqueles que não tinham empregabilidade no mundo normal de trabalho. Foi esta mais-valia que erguemos, mas não ficamos por aqui. Acabamos de fazer uma candidatura ao programa PARES 3, com a perspectiva de aumentar, uma vez que tínhamos criado um lar para 40 utentes e temos contratualizados 35 com a Segurança Social. Como a nova legislação obriga a que as unidades sejam de 30 utentes, fizemos uma candidatura a mais 20 lugares, passando a capacidade de 40 para os 60, que nos permite criar duas unidades de 30 utentes, respeitando a legislação e ao mesmo tempo permitindo uma maior resposta, uma vez, que temos uma lista de espera elevada. Com este projecto, damos uma certa segurança às famílias que vão envelhecendo, sabendo que partem, com o futuro salvaguardado para os seus filhos”.

A missão no MAPADI é dar resposta ao cidadão com deficiência em todas as suas vertentes: “É a nossa filosofia, procurar encontrar soluções para as necessidades do cidadão com deficiência, seja a que nível for. Desde o nascimento até ao sucesso de vida, é a nossa preocupação. Neste momento, queremos dar uma maior resposta ao Lar Residêncial. No futuro, quando houver novas candidaturas, queremos ampliar as residências autónomas para dar qualidade de vida ao cidadão que tem autonomia, mas que não tem retaguarda familiar”.

António Ramalho reconhece que entre uma equipa profissional há muito voluntariado e apoio: “Temos uma bolsa de voluntariado de excelência, que é liderada pela Coesão Social da Câmara e quando necessário recorremos a ela. Ao mesmo tempo, temos muitas empresas que colaboram connosco. Ainda agora, lançamos a nossa agenda 2021 e várias empresas adquiriram agendas que ajudam no financiamento das nossas estruturas, seja na sede ou no pólo de Terroso. Depois, temos o carinho de toda a população. Na festa da Senhora das Candeias, a missa é feita pelo padre Pedro no pólo do MAPADI e depois vai em cortejo até à igreja. Temos o carinho das estruturas da freguesia e das pessoas que nos apoiam em todas as áreas, nomeadamente na aquisição dos nossos produtos. Tenho que agradecer e dar o realce, não só à população do concelho da Póvoa, mas no caso de Terroso, de uma forma especial, pela proximidade com a estrutura”. E conclui: “Quando, na Páscoa o padre Guilherme lançou no ar, aquela cruz, tivemos o privilégio de a ver agarrar ao portão do MAPADI. Já encaixilhámos aquela cruz e, logo que seja possível, vamos coloca-la na nossa sala grande e celebrar essa inauguração. Parece ter sido um sinal divino. Como é que sai de Laúndos em balões e veio poisar no nosso portão”.

Por: 
José Peixoto

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