Voz da Póvoa
 
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A VOZ DE LAÚNDOS

A VOZ DE LAÚNDOS

Freguesias | 1948 | 18 Março 2020

O município da Póvoa de Varzim é constituído por 12 freguesias. Ocupa uma área de 8.224 hectares e conta com cerca de 60 mil habitantes. Definido no século XIX, o concelho está delineado de forma sinuosa e insinuante, como se do mar uns ombros largos projectassem dois braços terra adentro. Esse extenso abraço vai-se estreitando para o interior, até à união das mãos. É uma configuração que lhe traça o próprio fado, confirmando-lhe a inevitável vocação marítima. Dando continuidade ao périplo que A Voz da Póvoa está a realizar pelas freguesias do concelho, segue-se a freguesia de Laúndos.

Hino de Laúndos

Brilha, meu Laúndos brilha,
Que maravilha de lés-a-lés!
O S. Félix lá no alto, eu não lhe falto
De ir a seus pés!
E à Senhora da Saúde,
É com virtude também lá vou.
Tenho orgulho e altivez de ser Português
De Laúndos sou!

Ó meu Laúndos que és tão bonito,
Tão lindo nome está bem escrito,
Com poucas letras fica te bem!
Ó minha terra não faz guerra
Mesmo a ninguém!

Letra e Música de Armando Gomes Baptista      

Resenha Histórica

A freguesia de Laúndos aparece referenciada num documento de 1033, com o nome de ‘Montis Lanutus’, e a paróquia vem relacionada no censual bracarense, do séc. XI, com o título de ‘Sancto Micael de Lanutus’. Está situada a cerca de 7,5 quilómetros da cidade da Póvoa de Varzim, no extremo da conhecida ‘Légua da Póvoa’. Até à reforma administrativa de 1836, pertenceu ao concelho de Barcelos, passando nesta altura para o da Póvoa de Varzim.

A população que habitava o castro de S. Félix dedicava-se à agricultura, pequena indústria e pastorícia. Este povo trabalhava em cerâmica, fabricando telhas, diversos vasos e peças em ouro. Por necessidade, quando os tempos eram difíceis, eram também agricultores-pastores, procurando o sustento para a sua alimentação e vestuário.

Povo preparado para a guerra, povo guerreiro, por necessidade de se defender de povos invasores vindos de nascente, necessidade essa que o levou a erguer muralhas no cimo deste monte. No século V, este povo desceu do castro e foi habitar para as planícies, procedendo ao abate das florestas para as poder cultivar.
Em tempos não muito distantes, em casa as mulheres preparavam e teciam o linho, utilizando materiais que hoje merecem repousar em museus. Até aos finais do século XX, o linho deu lugar ao farrapo e dos teares saíram verdadeiras preciosidades em mantas. De referir que muitas casas de lavoura possuíam moinhos manuais apropriados à trituração do milho. Estes moinhos desapareceram com o correr do tempo, mas no Monte S. Félix ainda existem alguns desses exemplares, a maior parte convertida em residências de férias. Somente dois moinhos permanecem no seu tamanho original e apenas um ainda consegue moer.

Monte de São Félix – Local de Culto e de Turismo

Encontra-se na freguesia de Laúndos o Monte de São Félix, o ponto mais alto do município poveiro. Trata-se de um monte religioso de culto ancestral, onde, no sopé, acontece uma das maiores manifestações de cariz religioso da Póvoa de Varzim, a Peregrinação Arciprestal à Nossa Senhora da Saúde, que junta mais de quarenta mil devotos, romaria que percorre uma distância de mais de sete quilómetros entre a Igreja Matriz da Póvoa de Varzim e o Santuário da Nossa Senhora da Saúde, em Laúndos.

No topo do Monte de São Félix, sob um mirante que permite a vista panorâmica sobre a cidade, está o Monumento ao Emigrante, dedicado aos portugueses que partiram para o Brasil em busca de uma vida melhor. O marco é simbolizado pela família Giesteira, caminhando na rampa de um navio em direcção a um novo mundo, e cada integrante da família representa diferentes valores como a coragem, a esperança e a generosidade. Há uma superstição local que diz que quem esfregar a mão no pé da estátua do primogénito terá muito sucesso e dinheiro, já que o patrono do Monumento ao Emigrante, Manuel Giesteira, foi um advogado e empresário de sucesso no Brasil.

O povo de Laúndos também acredita que neste monte viveu outrora o eremita São Félix, responsável por ter encontrado o corpo de São Pedro de Rates, primeiro bispo de Braga, que terá dado origem à Igreja de S. Pedro de Rates e justificado a primazia de Braga, em termos religiosos, na Península Ibérica. O monte possui vários elementos religiosos, com o Santuário da Senhora da Saúde no sopé e a Capela de São Félix no cume, ligadas por um escadório ajardinado pela encosta do monte. Quando cai a noite, o escadório é iluminado, o que é facilmente visível a partir da cidade, aumentando assim o carácter religioso do monte e a sua presença na comunidade.

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