Voz da Póvoa
 
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A Voz da Póvoa de Varzim

A Voz da Póvoa de Varzim

Freguesias | 3 Dezembro 2020

Buscar na história uma data é encontrar na cidade a freguesia da Póvoa de Varzim, que no âmbito de uma reforma administrativa nacional, em 2013, surgiu agregada às antigas freguesias de Beiriz e Argivai. É de longe a mais populacional, agrupando mais de metade da população do concelho. A freguesia constitui o sul da cidade da Póvoa de Varzim, possui topologias e demografias diversas. Inclui áreas como o Bairro Sul piscatório, Torres de apartamentos a Norte, onde mora a Estrela de um Bairro, o primitivo núcleo romano e medieval na zona envolvente do Bairro da Matriz, do Largo das Dores e ainda, da Rua da Junqueira, a antiga paróquia de São Miguel o Anjo de Argivai e a zona suburbana de Beiriz, com antigas villas campestres e novas áreas residenciais procuradas e habitadas pela classe média e alta.

A junta de freguesia da Povoa de Varzim tem cinco polos de atendimento ao cidadão. Argivai, Beiriz, Norte, Sul e a sede localizada na zona do Bairro da Matriz.

A Voz do Presidente

Toda a força é feita de união e juntar as Juntas resultou na União das Freguesias Póvoa de Varzim, Beiriz e Argivai, que é presidida por José Ricardo dos Santos Baptista da Silva. Como a melhor comunicação é feita de proximidade: “O Senhor Amadeu Matias, desde o primeiro dia que tomei posse que ficou responsável por aquilo que são os problemas, preocupações e anseios de Beiriz, freguesia que bem conhece e foi seu presidente alguns anos. O mesmo desígnio para o Senhor Augusto Moreira em Argivai, onde também foi presidente, porque considero que eles têm um conhecimento e um relacionamento de proximidade com as pessoas, que ajuda bastante na resolução de diversidades. Apesar de ser o presidente, divido a responsabilidade por todo o executivo e acho que é assim que deve ser. É muito importante ter o contributo destas pessoas em Beiriz e Argivai, porque a minha ideia pode estar de alguma forma enviesada”.

Quando tomou posse como presidente, Ricardo Silva assumiu que o primeiro trabalho na Junta seria administrativo e financeiro: “Fizemos imediatamente uma auditoria. O meu objectivo é que a Junta, agora com Beiriz e Argivai, corresponda à cidade que isto é. Somos uma Junta com 34 mil habitantes e era preciso ganhar respeito e envergadura. Em resultado da auditoria tivemos que tomar uma série de medidas. A contabilidade da Junta de Freguesia passou a ser feita por uma entidade independente. Os relatórios anuais passaram a ter uma apreciação trimestral pela Assembleia da Junta. Fizemos regulamentos para todas as actividades, como de apoio social, para a Feira das Moninhas. Deixou de ser discricionário do presidente e passou a ser uma instituição com normas e regulamentos aprovados pela Assembleia da Junta, que representa a massa eleita dos poveiros e todos os partidos que estão ali representados. Nas nossas funções temos tido o apoio da Assembleia da Junta e também da Câmara Municipal”.

O trabalho responsável tem permitido: Investir naquilo que são as capacidades das associações poveiras, nos seus equipamentos. Ainda recentemente, colocamos um piso novo para a prática do Ténis de Mesa nas ‘Tricanas Poveiras’, ajudamos os Leões da Lapa, patrocinamos o CD do coro Capela Marta, ao abrigo do Fundo de Recuperação do Património Associativo da Povoa. Tivemos que estruturar a Junta de Freguesia, torná-la numa instituição pública respeitada, com outro tipo de estrutura que não passasse apenas pela minha capacidade discricionária de decisão. Ainda no primeiro ano resolvemos o problema das carreiras dos funcionários. O importante disto era que o executivo tinha que ter regras e obedecer a elas. A partir daí foi mais fácil criar as equipas para as valências de Acção Social. Seguiu-se a criação da Academia Sénior, que entre a Póvoa, Beiriz e Argivai soma 550 pessoas inscritas. Utilizamos todos os espaços, para desenvolver um sem número de actividades físicas e intelectuais. Tivemos que avançar com as obras do cemitério de Beiriz, o projecto da Junta de Freguesia de Beiriz, as obras em Argivai e a remodelação do Parque de Nova Sintra que acabou por ser pouco utilizado devido à pandemia. Em tudo o apoio da autarquia é fundamental”.

Reagir à Emergência Combateu a Calamidade

Nunca o país tinha experimentado combater o invisível, mas a pronta resposta dada pela Junta de Freguesia pode ter travado o passeio da doença: “Todos os serviços fecharam, mas a Junta nunca fechou, esteve sempre aberta. Por questões de segurança tivemos que reduzir o horário nas cinco delegações e pontualmente, encerrar uma ou duas. A maior parte dos serviços passou a ser por atendimento Online, ou seja por marcação, como continua a ser. A Junta de Freguesia tinha instituído um serviço ‘Junto ao Cidadão’, que dá apoio na relação entre as pessoas, normalmente de mais idade e menos formação, pessoas que não conseguem pedir medicamentos pelo site do SNS, marcações para as finanças, registo civil, ou apresentar papéis de IRS, tudo o que tinha passado a ser feito Online. Ou seja, isto é verdade para muita gente, mas não funciona para uma grande parte das pessoas, de risco, que se pretendia que ficassem em casa, mas que as ferramentas que foram facultadas por esses serviços eram impraticáveis. Já fazíamos esse apoio porque tínhamos dado formação aos funcionários, mas passamos rapidamente de dezenas de casos para centenas, em tempo de pandemia”.

E Ricardo Silva acrescenta: “O mesmo aconteceu com o cabaz de emergência. Nós já tínhamos uma logística e uma forma de fazer este trabalho de apoio ao idoso, ir às farmácias, fazer as compras, levar o idoso a uma consulta. Isso já existia antes da pandemia, mas triplicou o trabalho e o apoio. Centralizado o atendimento, a Junta passou a prestar o serviço junto da população, nas três freguesias. Se a pessoa não tem condições de se deslocar à Junta, o nosso funcionário vai a casa, faz a prova de vida através do cartão de cidadão e na presença da pessoa, muitas vezes acamada ou com dificuldade de movimentos e depois fazemos o atestado da Prova de Vida. Dou este exemplo porque são milhares de atestados que a Junta passa, para as pessoas continuarem a receber as suas reformas. Para quem sabe lidar com as novas tecnologias temos uma plataforma ‘juntar as juntas’ que permite que as pessoas peçam os atestados, enviem os documentos e que inclusivamente façam os pedidos à Junta de Freguesia, assim como participar ocorrências ou problemas que têm. Tudo isto é uma validação dos projectos que coloquei em funcionamento, desde que assumi a Junta há três anos, o que nos permitiu uma rápida adaptação e um trabalho muito próximo com a Câmara Municipal e com as instituições de solidariedade, porque desde o início tivemos uma política de que tínhamos que ser uma Junta para todos os poveiros”.

A possível normalidade foi adaptada às necessidades das populações: “A Junta da Póvoa está aberta ao público da parte da manhã e à tarde por marcação, em Beiriz e Argivai estão abertas todo o dia, porque o posto de Correios tem que funcionar normalmente. Como somos nós que distribuímos o correio não há aquelas falhas que toda a gente conhece nos CTT. Temos um funcionário que presta esse serviço e que é conhecedor dos lugares, um padrão importante na distribuição, uma mais-valia para a Junta e essencial para a população. Como temos uma população de maior risco, que são os mais idosos, naquilo que foi a estratégia seguida no país, a questão do recebimento das reformas e das provas de vida ficou um pouco no esquecimento. Por isso, tivemos que correr o risco, mesmo em tempo de pandemia, de manter o serviço de Correio aberto, para fazer o pagamento de reformas ou entrega de cartas registadas. Tinha que continuar a funcionar, não só pela correspondência, mas pela própria sobrevivência das pessoas que dependem dos correios para receber as suas reformas”.

A Normalidade Regressou à Feira das Moninhas de Máscara

O esperado regresso da feira das Moninhas obedeceu, primeiro, a um trabalho de casa e depois no local, com a obrigação de todos, clientes e comerciantes, respeitarem as regras da Direcção-Geral da Saúde: “Tivemos que estabelecer as premissas, os balizamentos daquilo que pode ser feito, na consciência de estar a defender as pessoas e os feirantes. Temos que perceber que se houver casos, a DGS manda fechar. A feira concentra pessoas que vêm de lugares e concelhos diferentes e que estão em sítios diferentes todos os dias, um crescendo de risco complicado. Autorizada a reabertura foi posto em prática um plano de Contingência. Começamos com metade dos feirantes, em alternância, e é o que temos mantido. Uma entrada e uma saída diferentes, uso obrigatório de máscara ou viseira e Gel desinfectante. Temos um funcionário à entrada, um segundo na feira e um terceiro à saída”, esclarece Ricardo Silva.

Uma outra feira que deverá passar a ser gerida pela Junta de Freguesia é a Feira das Velharias, que muda da Praça do Almada para a Praça Luiz de Camões: “A Feira de Artesanato e Velharias é um projecto antigo da Junta de Freguesia da Póvoa, uma competência importante na defesa do artesanato da Póvoa e da cultura poveira, um património muito importante e valioso que urge valorizar. Fizemos várias parcerias com o IEFP – Instituto de Emprego e Formação Profissional, para fazer formação em camisolas poveiras e estamos também a tentar criar um gabinete de apoio para tirar a carta de artesão. Nós precisávamos da Feira de Artesanato para apresentar o produto que é desenvolvido através destas oficinas e ao mesmo tempo contribuir para a economia social das famílias. Depois juntou-se a Feira das Velharias. O meu interesse nestas duas feiras é gerir um atractivo turístico para a Póvoa, uma coisa bem organizada e bem estruturada, que acabará por chamar pessoas a esta zona da cidade. Foi com esse objectivo que propus à Câmara que esta feira passasse a ser gerida pela Junta. Neste momento estamos a ver as candidaturas para depois definirmos os espaços”.

Apresentado o projecto à Câmara Municipal, Ricardo Silva vai fazer o mesmo na próxima Assembleia Municipal, onde espera aprovação: “Não é o projecto da feira, mas o projecto da divulgação do artesanato, da certificação pela Junta das peças de Artesanato Poveiro, para valorizar o produto. A camisola poveira deve ser feita com um padrão que a identifique. A Junta pode estabelecer essas normas de certificação. Quando falo deste projecto tenho que referir que há aqui uma parceria com o Museu Municipal, que está a fazer um estudo da Camisola Poveira. Temos o registo dos domínios no nome da Junta de Freguesia. Estamos também em parceria com o Museu, a preparar as reparações mais profundas de restauro das Alminhas da Póvoa. As Alminhas são um património exclusivo de Portugal e a Póvoa possui algumas muito antigas”.

A Velha Junta dos Poveiros Precisa de um Edifício Novo  

Há uma relação muito próxima entre a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia: “Comunicando desarmam-se muitos problemas. Muitas vezes é o presidente de Junta que recebe os receios e anseios daquilo que está a ser feito pela Câmara, como uma intervenção numa rua. Na Junta não fazemos obras dentro da cidade. Em termos de acção social fazemos obras na casa das pessoas, depois de uma avaliação à sua insuficiência económica. Têm que obedecer ao nosso regulamento aprovado em Assembleia de Junta. Temos também o apoio da Câmara que assinala as pessoas. São obras que conseguimos fazer dada a capacidade dos funcionários da Junta”.

Para Ricardo Silva há um fenómeno de globalização que é inegável e que está a apagar as culturas locais: “Disseminou-se, estamos a receber uma forte vaga que vai esbatendo a nossa cultura e a nossa forma de ser, mas acho que ainda existem muitos bastiões daquilo que é a cultura poveira. Por isso, acho importante o ‘S. Pedrinho da Pequenada’ para inserir os meninos na cultura poveira. Se não partilharmos a nossa cultura com os mais pequenos eles vão acabar influenciados pela cultura americana e outras, que têm meios fortíssimos de influência e bombardeiam a toda a hora. Estamos a fazer os jogos didáticos para oferecer às escolas da União de Freguesias, no inicio do ano, sobre os Arguinas de Beiriz, que eram pedreiros de profissão e que tinham uma linguagem própria, um valor cultural que não se pode perder. Em Argivai estamos a fazer o conto ilustrado da Favorita de D, Sancho, a Ribeirinha, que é importantíssima até para Vila do Conde, mas a casa dela é em Argivai. Na Póvoa, principalmente da parte da classe piscatória poveira temos os mitos, as lendas, aspectos gráficos, as siglas. É importante reforçar isto junto dos miúdos. Quantos pais explicaram aos filhos que as siglas existiam porque os pescadores eram todos analfabetos? Acho importante levar isto às escolas. Se perdermos estas referências os jovens deixam de cuidar delas”.

As pessoas percebem que existe uma Junta de Freguesia e recorrem a ela, mas para o presidente Ricardo Silva falta um local próprio para as receber: “O meu principal objectivo, nestes três anos, foi provar que efectivamente é necessário um edifício para a Junta de Freguesia na Póvoa de Varzim. Trabalhamos com a Acção Social, em rede, com a Câmara Municipal e as IPSS, tudo o que fazemos é ajudar sem atrapalhar. Há actividades para os mais novos, uma preocupação com o comércio local, acções nas ruas com jogos tradicionais. Quis criar uma Junta que tivesse o máximo de actuação possível dentro da Póvoa. Estamos aqui, em três espaços arrendados, pequenos, sem grandes condições para trabalhar. Crescemos mais que o nosso espaço físico. Por isso, o meu grande objectivo é criar o edifício da Junta de Freguesia onde pudéssemos lá colocar com condições, a Academia Sénior, a escola da Camisola Poveira e de artesanato. Um espaço de Cidadão condigno para facultar este apoio dado à população, mas que tivesse outro tipo de capacidade de atendimento. Tinha que provar isso e penso que o consegui, para que brevemente, possamos avançar com esse projecto.

 

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