Voz da Póvoa
 
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A Ver o Mar e a Terra a Celebrar a Elevação a Vila

A Ver o Mar e a Terra a Celebrar a Elevação a Vila

Freguesias | 9 Julho 2026

 

Foi um lugar da Freguesia de Amorim, mas em 1922 recebeu o estatuto de Freguesia. No dia 1 de Julho celebrou 23 anos de elevação a Vila de Aver-o-Mar, estatuto atribuído pela Assembleia da República, uma data que a actual Presidente da Junta, Ana Rita Sencadas, quis celebrar com a população que convidou para assistir ao hastear das bandeiras de Portugal, da Póvoa de Varzim e de Aver-o-Mar, cerimónia que contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal, Andrea Silva e todo o seu executivo, assim como de vários presidentes das Juntas de Freguesia do Concelho.

No seu discurso, Ana Rita Sencadas lembrou que, “há datas que uma lei inscreve no calendário. E há identidades que uma comunidade constrói muito antes de a lei nos reconhecer”. Aver-o-Mar foi terra de pescadores, mas “enquanto muitos homens enfrentavam o mar, eram as mulheres que garantiam que a vida por terra continuava. Criavam os filhos, cuidavam da casa, trabalhavam nos campos, recolhiam o sargaço, vendiam o peixe e faziam render o pouco que havia. Eram mulheres habituadas ao trabalho, mas também à espera. À espera de um regresso que, por vezes, tardava mais do que o coração conseguia suportar. A história de Aver-o-Mar não pode ser contada sem lhes dar o devido reconhecimento. Porque elas ajudaram a construir esta terra tanto quanto o mar a sustentou”.

E revelou que era “neta de um pescador e também neta de uma dessas mulheres. Cresci a ouvir histórias que me ensinaram que nada do que hoje temos apareceu por acaso. Cada rua, cada associação, cada oportunidade que damos pela vida, existe, porque alguém trabalhou muito antes de nós”. Com o passar dos anos Aver-o-Mar foi se transformando: “A pesca deixou de ocupar o lugar que teve durante tantas gerações. Surgiram outras profissões, novas empresas, novas oportunidades e novos desafios. Hoje em dia, o mar já não habita a vida da maioria das famílias”. 

Ana Rita Sencadas acrescentou às suas raízes o tempo vivido: “Tenho 24 anos. Faço parte de uma geração que encontrou a freguesia muito diferente daquela onde cresceram os nossos avós. Não vivi os dias em que o mar decidia o destino de uma família inteira. Não conheci a dureza do trabalho das sargaceiras nem das mulheres que esperavam todos os dias pelo regresso das embarcações. Mas, cresci rodeada dessas histórias. Isso fez-me perceber que tudo aquilo que hoje nos orgulha em Aver-o-Mar resulta do esforço de muitas gerações. Celebrar o dia de Aver-o-Mar é também uma forma de dizer obrigado”. E conclui: “Obrigada a todas as gerações que trabalharam para que esta freguesia crescesse. Obrigada às associações, às colectividades, aos voluntários, aos dirigentes, aos trabalhadores desta Junta de Freguesia, aos comerciantes e a todos aqueles que continuam a dedicar uma parte do seu tempo ao bem comum da freguesia. Gostava que daqui a 50 anos, quando alguém voltasse a celebrar este dia, pudesse olhar para trás e dizer que, a minha geração esteve à altura”. E terminou com um pequeno apontamento retirado de uma crónica de Luísa Dacosta.
 
Por sua vez, Andrea Silva reconheceu que a elevação em 2003 a Vila “deve-se, sobretudo, a esta comunidade. Ao trabalho, à persistência e à identidade que os averomarenses souberam construir ao longo de gerações. É nas freguesias que a voz das pessoas fala mais alto. É nelas que essa voz tem rosto, tem nome e tem alma. E foi por isso que, há poucos dias, na cerimónia que celebra o aniversário da elevação da Póvoa de Varzim a cidade, tivemos a honra de homenagear as 12 freguesias do Conselho, no ano em que se assinalam os 50 anos do poder local democrático em Portugal”. A festa terminou com um lanche convívio aberto a toda a comunidade local.

Por: José Peixoto

Fotos: JP - JC

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