Voz da Póvoa
 
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Jantar de Homenagem a Antero Cadilhe e Jorge Garcia

Jantar de Homenagem a Antero Cadilhe e Jorge Garcia

Desporto | 1930 | 30 Outubro 2019

Antigos Atletas de Andebol do Desportivo Recordam Meio Século de Estórias

Recordar é viver. Que o digam os antigos atletas de andebol do Clube Desportivo da Póvoa que, desde 1969, ajudaram a escrever páginas douradas da modalidade. À mesa, foram recordadas e partilhadas estórias com 50 anos, mas o momento mais marcante da noite foram as homenagens ao técnico Antero Cadilhe e ao seccionista Jorge Garcia, que desempenharam um papel preponderante, reconhecido por todos, na promoção e desenvolvimento do andebol na Póvoa de Varzim.

   O ‘Antero do Andebol’, como ficou conhecido, foi o ‘pai’ da modalidade na Póvoa de Varzim, em meados da década de 50 do século passado. Antero Cadilhe tem 81 anos de idade e recorda como tudo começou: “Tinha uns 15 anos e havia um jogador internacional do FC Porto, o Manuel Serafim, que vinha à Póvoa com muita frequência. Como ele frequentava o Desportivo da Póvoa, arranjamos um carpinteiro para fazer umas balizas e ele começou a ensinar a malta a jogar andebol. Desse grupo, formou-se a primeira equipa, em 1954”.

E prosseguiu: “Como estudava no Porto, na Secundária Infante D. Henrique, fui jogar andebol para o Sport Club do Porto. Ainda fui convidado, pelo próprio Manuel Serafim, para o FC Porto, mas os treinos eram às sete da manhã e não conseguia conciliar com os estudos. Então, continuei no Sport Club do Porto, onde joguei dois anos nos juniores e depois nos seniores. Uns anos mais tarde integrei o primeiro curso de monitor de andebol e fui selecionado para ir a Lisboa fazer o curso de treinador. Quando regressei à Póvoa, formei a primeira equipa de juvenis do Desportivo. Muitos dos que aqui estão fizeram parte desse grupo, que subiu a sénior em 1969”. Aliás, este ano foi marcante para o Desportivo da Póvoa porque em 14 de Dezembro deu-se a inauguração do pavilhão, integrado nas comemorações dos 25 anos do clube.

Depois do Desportivo da Póvoa, onde esteve vários anos, Antero Cadilhe prosseguiu a carreira de treinador no Sporting de Braga, Vitória de Guimarães e ABC. “Em 1991/92 fui convidado para vice-presidente do Desportivo, para tentar salvar o andebol, mas havia muitos vícios instalados e a secção funcionava anarquicamente. Facilmente se antevia que assim não ia ter futuro. Ainda tentei, na parte final, salvar a modalidade, mas fui boicotado e o desfecho é o que todos conhecemos”.

No balneário, as estórias são muitas, algumas delas bastante caricatas. Antero Cadilhe recordou: “Tinha uma equipa fantástica quando se deu o 25 de Abril. Nessa altura começou a haver algumas quezílias no seio do grupo, mas eu disse a eles: ‘Aqui somos todos do mesmo partido, somos todos Desportivo da Póvoa’. A união era a força da nossa equipa. Não havia muita captação, porque não existia o hábito da prática desportiva nas escolas, mas conseguimos, com grupos pequenos, formar grandes equipas e deixar a nossa marca no andebol nacional”.

E como tem assistido ao renascimento da modalidade através do Póvoa Andebol? “Tem sido feito um trabalho de reconhecido valor, principalmente ao nível da formação, e só tenho pena que não seja integrado no Desportivo da Póvoa, porque escrevemos uma história no andebol que ninguém irá apagar. Neste momento, tenho andado afastado das lides da modalidade, mas ainda vou assistir a alguns jogos. O andebol é a minha paixão”.

Igualmente feliz por rever muitas caras conhecidas estava Jorge Garcia, que liderou a secção de andebol do Clube Desportivo da Póvoa durante longos anos e esteve também na linha da frente aquando da constituição do Póvoa Andebol. Natural de Guimarães, Jorge Garcia tem 84 anos e foi o amor que o trouxe, em 1972, para a Póvoa de Varzim: “Casei com uma poveira e esta passou a ser a minha cidade. Sempre gostei de desporto e já em Guimarães fui dirigente de várias modalidades, desde atletismo, andebol e voleibol, no Círculo Arte e Recreio”.

E recorda: “O padre Manuel Vaz, que na altura era presidente do Varzim, convidou-me para director. Ele também é natural de Guimarães e conhecia o meu trabalho na área desportiva. Mais tarde, fui convidado pelo Clube Desportivo da Póvoa e assumi a secção de andebol. Paralelamente, organizei espectáculos musicais e cinema ao ar livre. Trouxe cá o Nicolau Breyner, o Herman José, o Rui Veloso, e procurei ter uma participação activa na comunidade”.

Jorge Garcia orgulha-se de não ter permitido que o andebol acabasse na Póvoa: “Ainda hoje não sei porque o Desportivo acabou com a secção de andebol, nunca ninguém me explicou, mas não deixei que a modalidade desaparecesse. Pegamos nos jogadores, fomos para o Leões da Lapa e pouco depois fundamos o Póvoa Andebol. Valeu a pena o esforço e o sacrifício. O Póvoa Andebol continua a crescer e estamos a um passo de chegar à 1ª Divisão. Sinto que valeu a pena. E estar aqui a rever tantas caras conhecidas é olhar a felicidade da primeira vez”.

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