Voz da Póvoa
 
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Uma Cooperativa Árvore em Tons de Sons

Uma Cooperativa Árvore em Tons de Sons

Cultura | 1947 | 11 Março 2020

As palavras ganham força quando experimentamos a sua amplitude e às vezes precisamos do silêncio para calar o grito. A arte consegue dizer sempre no ouvido tudo o que vês ou sentes, porque nunca foi capaz de construir fronteiras nem raças.

A Árvore – Cooperativa de Actividades Artística, CRL, fundada em 1963, pelo sonho de um grupo de artistas plásticos, recebeu no sábado a exposição ‘Tons de Sons’.
Uma pauta de telas cobriu lugares de paredes e apresentou-se em ‘dueto’, como se o pássaro encantasse o violino. Lá, Ré, Sol, Dó, em afinado corpo nu. A luz do violino, na pele da violinista. Homenagem ao maestro Henk van Twillert e a sua banda musical ‘Ventos do Norte’, casamentos. Maestro Henk Twillert, a partitura em movimento. Música 1 e Música 2, como se não acabasse. O coro, como ouvir. Sons agudos, como arrepiar. 5ª Sinfonia de Beethoven, a orquestra. Depois de olhar os tons, outros sons em ‘Epifania’. Os fadistas; Os tenores; Raquel Camarinha; Cá dentro; As sopranas; O pianista; Suaves sopros (trompetistas); Fortes sopros (tubistas); Ela não é violoncelista; Cordas; Coro; O Cante Alentejano; Música brava; Autorretrato aos gritos, como se não fosse Afonso Pinhão Ferreira.

Dar aos olhos um imaginário de cores, em tela reais, capazes de compor uma ópera completa, onde o canto erudito se abrigou no mesmo espaço do popular, onde os instrumentos são natureza pura antes da orquestra, encontraremos no segredo do pincel a batuta de Lusitano Afonso: “Vamos criar um novo universo, um mundo menos perverso, onde o Homem não se justifique apenas pelo trabalho, e encontre na cultura e na arte, viagem e agasalho.”

Gente poveira e de terras de amigo, mas também de ocasião, encheram as salas de exposição da Cooperativa Árvore. Foi para esta plateia, que ouviu ‘cantar’ o violino de Ianina Khmelik, que os curadores Isabel Ponce de Leão e José Rosinhas explicaram como afinaram cada tela, de forma a criar uma história que pudesse ser contada e multiplicada pelos olhares.

Ao artista Afonso Pinhão Ferreira coube agradecer a presença de todos a todos: “Em nome do presidente da Câmara e amigo Aires Pereira aqui presente, cumprimento todos os poveiros. Gosto de arte, não fosse ela a suprema manifestação humana. A arte humaniza a vida e permite viver para além de existir. Faz despertar de uma existência conformista para uma vivência activista. Gosto da arte porque provoca o desigual no inferno do igual, porque é contra a lógica homogeneizante e estimula a negatividade à coisificação, à igualização e ao consumismo. Estou feliz por expor na Cooperativa Árvore, refúgio educativo e polo divulgador, já histórico de quem se interessou e se interessa pela arte. Chamei à exposição ‘Tons de Sons’, estive para lhe chamar ‘Sons dos Tons’ ou ainda ‘Tons com Sons’, decisão que resolvi em silêncio. Ficou ‘Tons de Sons’, mas apesar da mostra versar sobre os sons dos instrumentos e o som das vozes, o som melódico, eu quero falar é de silêncio”.

E acrescenta: “Na arte, o artista coloca os segredos que se escondem dentro do seu silêncio, que é o que ele tem de mais rico ou não fora esse silêncio uma chave de abrir novas formas de pensar. A arte vive de contemplação e a contemplação exige que procuremos o silêncio. Se encontrarem o vosso silêncio numa exposição chamada ‘Tons de Sons’ sentir-me-ei totalmente realizado”.

 A arte é e será sempre a melhor forma de encontrar a liberdade. Juntos seremos livres.


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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