Voz da Póvoa
 
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Três Décadas a Navegar na Escola da Memória “Fé em Deus”

Três Décadas a Navegar na Escola da Memória “Fé em Deus”

Cultura | 16 Setembro 2021

O bota-abaixo aconteceu a 15 de Setembro de 1991, passados 30 anos podemos sempre reler o tempo da memória.

 No tempo da vela em todos os barcos, quando o Outono trazia consigo marés de inverno, o grito do Ala-Arriba fazia-se ouvir no coração da Lapa. No areal da praia do peixe semeavam-se as lanchas dos poveiros, as catraias e outros barcos ainda mais pequenos. Era um tempo de fome para os homens do mar.

Os anos passam a contar a história. A lancha poveira do alto “Fé Em Deus” foi reconstruída para o mar matar saudades e dar ao vento um tempo de memória. Nos últimos 30 anos, fez-se escola da vida. Viajou por mares nunca antes navegados por uma lancha. Em “todas” as primaveras fez-se ao mar, em todos os outonos recolheu o mastro, a verga e a vela, abraçando o ancoradouro no cais da marina. Embebida de mar, aguarda curar as feridas da idade e voltar, para o ano, a agarrar o vento no pano.

A Fé Em Deus escolheu Setembro para, no mar, homenagear Manuel Lopes, antigo director do Museu e da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, e o grande responsável pela construção da “escola da memória”, a Lancha Poveira.

No cais, ou melhor na Marina Norte, a directora da Biblioteca Municipal, Lurdes Adriano, a directora do Gabinete de Projetos Culturais do Cine-Teatro Garrett, Manuela Ribeiro, e o vice-presidente e vereador da Cultura, Luís Diamantino estiveram presentes na celebração dos 30 anos da “Fé em Deus”, que saiu ao mar para que a memória de um tempo antigo renasça a cada navegação.

Depois, mestre Agonia Areias, o homem do leme de toda a existência da “Fé em Deus”, rumou mar fora, com meia dúzia de tripulantes, para dar à Lancha Poveira do Alto mais uma memória, no dia em que renasceu.

A Lancha Poveira do Alto “Fé em Deus”

A “Fé em Deus” é uma embarcação de pesca tradicional de origem secular. Em 1991, foi reconstruída uma réplica segundo normas e modelos tradicionais e representa uma das últimas lanchas poveiras a ir ao mar.

O início da reconstrução deu-se a 27 de Fevereiro de 1991, para homenagear as vítimas da maior tragédia marítima poveira, acontecida nesta mesma data em 1892, depois seguiu-se o sonho de Manuel Lopes, um Poveiro amante da cultura e muito respeitado na comunidade e pela colmeia piscatória. É desde então, a embarcação tradicional portuguesa que mais navega por mar, promovendo a memória do pescador poveiro e português.

Mais Fé em Deus:

www.facebook.com/bibliotecamunicipalrochapeixoto/videos/395903775273564

www.youtube.com/watch?v=CuU5hkAVBdw&ab_channel=WowFilmes

 

 

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