Voz da Póvoa
 
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Selvagens Esses Ossos de Auroque

Selvagens Esses Ossos de Auroque

Cultura | 1934 | 27 Novembro 2019

Na Fundação Luís Rainha voltou a acontecer, na sexta-feira, o Ciclo Aberto “5º Episódio: mas quem é Catarina Ginja?”. O projecto nasceu da partilha de vontades de Inácio Sousa Lima, presidente da Fundação, e do poeta Aurelino Costa, que coordena as conversas com pessoas com arte. Desta vez a convidada surpresa veio do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto. A cientista revelou que, actualmente, o seu trabalho está focado no estudo das espécies domésticas (bovinos, ovinos, suínos) oriundas da Península Ibérica e do Norte de África. Os diálogos tiveram também a cooperação de Paulo Ferreira “In-Libris”.

Depois de Luís Diamantino, vice-presidente e vereador da Cultura da Câmara Municipal, ter enaltecido o Ciclo Aberto, por permitir “momentos de conversa que nos surpreendem e desinquietam”, Aurelino Costa acrescentou que “a música é um órgão cientificamente eficaz no caminho das artes”. Mas foi à capela que usou da palavra poema para, entre outros, dizer Jorge de Sousa Braga. E lançou o mote: “A nossa casa é o afecto e a grande luta da investigação e da arte reside na não repetição”.

Como a faca não corta o fogo, Catarina Ginja lembrou que “todos os cientistas têm uma dedicação total e toda a investigação se faz de repetição até ao espanto da descoberta, pelo novo. Trabalho com gado bovino e o meu propósito é conhecer o seu DNA, que explica a matriz bioquímica, e perceber como estão ligados entre si, as raças. Para isso temos que ter modelos de simplificação”.

Da Catarina que nasceu no Porto, um ano antes do 25 de Abril, saíram muitas Catarinas. Uma certa ruralidade na infância germinou uma inquietude que a levou para a ciência, para a investigação. Primeiro nos animais de hoje, depois viajou no tempo, até ao Auroque animal. Trata-se da vaca primitiva que deu origem às espécies de bovinos que hoje conhecemos.

Pelo meio surgiu um livro, ‘Esses Ossos’, que teve a escolha poética de Isaque Ferreira e a fotografia de Paulo Ferreira, que também é editor da obra: “Ligar a fotografia à história da ciência. A curiosidade interessa ao artista e ao cientista. O investigador suspeita que existe, o investigador artista está aberto ao erro. Caminha em busca do erro, do engano. Gosto de trabalhar na ilusão. A fotografia está escravizada à ideia de mostrar o que é, mas o princípio da fotografia é a manipulação”.

Catarina Ginja reconhece que os investigadores têm tendência para ordenar e recorda que “José Mário Branco dizia que só nos fica o que damos aos outros. Por isso, tinha que haver no livro poesia e ciência, mas de uma forma indirecta. A ideia é que nesta partilha consigamos chegar ao leitor. Os nomes arqueológicos dos lugares são por si só poéticos”.

E afirmou em jeito de resumo: “Temos que usar a genética para construir conhecimento”.

No final, a Fundação Luís Rainha entregou os prémios aos melhores alunos da Escola Secundária Eça de Queiroz e da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, Beatriz da Costa Ferreira e Ana Paula, respectivamente.


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

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