Voz da Póvoa
 
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Quando Ouvir a Inspiração do Outro nos faz ver a Música

Quando Ouvir a Inspiração do Outro nos faz ver a Música

Cultura | 5 Agosto 2026

 

Tudo é de contar, artistas, vozes, músicos, instrumentos, orquestras, público ou o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim (FIMPV) na sua 48ª Edição, onde nas salas cheias se respirou melhor.
 
Isto só acontece porque há um trabalho que se cimentou num saber sair do berço onde nasceu em 1979, mas também numa aposta partilhada entre a música antiga e contemporânea, entre prestigiados músicos e jovens talentos, que impuseram o ritmo certo, e aos poucos o Festival conquistou um público interessado que inevitavelmente foi sensível à qualidade dos intérpretes. 

Após percorrer quase meio século da minha memória, não encontro um outro pensamento que não seja a influência dominante que a música tem no interior de uma vida real, a nossa, a riqueza harmónica, a introspecção e a quietação das nossas próprias interrogações, paixões, amores-perfeitos que não são flores, o virtuosismo dos mestres que rejuvenescem em cada interpretação as mais antigas composições ou as obras eternas de criadores como Beethoven, Mozart, Bach, Chopin, Schubert, Schumann, Vivaldi, Shostakovich, Brahms, Debussy, Carlos Paredes, Liszt, Tchaikovsky, Carlos Seixas, Rachmaninoff, Prokofiev, Ravel, João Domingos Bomtempo, Rossini, Strauss, Dvorak, Rimsky-Korsakov, Sibelius, Fauré, Heitor Vila Lobos, Puccini, Haydn, Luís de Freitas Branco. São apenas alguns eruditos que dedicaram parte de suas vidas a revelar inspirados segredos dispersos pela natureza, interpretados pelo fascínio do espanto que oferece a chave das portas da inspiração, da criação.

A relação que existe entre contar em números e contar com uma equipa homogénea produzida e criada na Associação Pró-Música da Póvoa de Varzim, feita de trabalho e conhecimento, liderada por Raúl da Costa, Director Artístico do FIMPV, é como moldar a personalidade intelectual de cada um, suscitar o desejo de aprovar cada intenção de pauta, cada aposta, cada sugestão, cada caminho indicado. Percebe-se que não há a intenção de agradar, mas de inovar o génio, preencher vazios e consciências, oferecer novos rumos e angariar novos aplausos. Eu sei que todos trabalham para o sucesso, mas tenho que preguiçar um abraço a Guilherme Cancujo, que na sombra é a silhueta perfeita deste Festival.

Por: José Peixoto
Fotos: FIMPV

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