Voz da Póvoa
 
...

Os Dias Intimistas do Posto de Turismo dos Torreões

Os Dias Intimistas do Posto de Turismo dos Torreões

Cultura | 1952 | 13 Maio 2020

Em tempos não muito remotos dar uma volta era passear pelo país, pelo mundo. Chegados lá, a primeira procura era o Posto de Turismo local. Aí se recolhia a primeira mostra do desejado, as primeiras informações sobre o que visitar, onde dormir e até degustar. Por cá a Pescada Poveira ou o Arroz de Sardinha. E para que o doce nos traga uma natalícia memória, sobre a mesa, a Rabanada Poveira.

Sem avisar, vido de uma proximidade globalizada, um vírus transformou-se em pandemia, os Estados em Emergência e as pessoas em condicionado isolamento. Mas, a vida é feita de rotinas e motivações. Quando a normalidade se quebra não podemos viver de hesitações. O passo seguinte foi cumprir as recomendações da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que convidou o país ao confinamento social. Se por um lado as pessoas limitaram os passos na rua a deslocações obrigatórias, os edifícios públicos, na maioria, fecharam as portas com gente dentro, para que os nossos receios e necessidades continuassem a ter atendimento.

Prova disso mesmo foi a conversa que tivemos com Gabriela Azevedo, coordenadora do Posto de Turismo da Póvoa de Varzim, separada pela moderna proximidade de um telefone, que nos confessou: “Neste momento apenas o Posto de Turismo dos Torreões está a funcionar de portas fechadas. A Loja Interactiva de Turismo e o Posto de Turismo da Fortaleza estão temporariamente encerrados. O viajante ou o turista que nos visitava, obviamente ficou em casa e confinado à sua terra. O turismo e tudo o que o envolve praticamente pararam. Tínhamos várias acções programadas porque íamos entrar numa época forte de turistas. Como é sabido a Póvoa recebe muitas visitas na Páscoa, entre outros, muitos espanhóis. Tínhamos também programadas participações em feiras de turismo e acções previstas para a Galiza, para promoção das festas do S. Pedro, entre outros eventos religiosos e culturais”.

E acrescenta: “Na primeira fase do ‘Estado de Emergência’ ainda se pensava em reagendar actividades e acções, mas com o decorrer do tempo percebemos que estava para durar as medidas de isolamento social e outras que a DGS promoveu e as autarquias puseram em prática. A Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) foi reagendada para final de Maio e embora ainda não haja nada de concreto acredito que não se vai realizar. Estamos todos à espera de ver no que vai dar”.

Com as acções de promoção anuladas e as portas encerradas ao público, viver por dentro um trabalho, essencialmente para gente de fora, obrigou a uma gestão de recursos humanos bem diferente do habitual, como nos conta Gabriela Azevedo: “Tivemos que criar duas equipas de trabalho para podermos alternar e manter o exigido distanciamento social. Ou seja, uma semana em casa em teletrabalho e outra no Posto de Turismo. Estamos de porta fechada, embora sempre contactáveis, quer seja por telefone ou por e-mail. Pelo menos até meio do mês de Maio esta situação vai-se manter. As novas tecnologias facilitaram estes tempos de confinamento social”.

Separar pessoas habituadas a conviver não foi um passo difícil: “Temos um óptimo entendimento e as pessoas perceberam rapidamente que teríamos que respeitar as directrizes da DGS. Está tudo a correr bem, com um bom entrosamento e comunicação entre as pessoas que estão aqui e em teletrabalho. Para respeitar normas de segurança separamos as secretárias de forma a promover um afastamento entre os profissionais. Desta forma temos quatro pessoas a trabalhar em distâncias razoavelmente seguras. Para além da coordenação do trabalho há também um contacto constante com a vereadora do Turismo, Lucinda Amorim, que tem sempre a preocupação de saber se estamos bem. Este tempo até nos aproximou mais na distância. Estamos todos mais atentos ao que se passa”.

Para Gabriela Azevedo os últimos tempos de confinamento serviram para rever materiais e documentos que aguardavam disponibilidade: “Estamos a aproveitar para formular, rever e actualizar materiais e documentos que tinhamos em depósito ou arquivo. Esta obrigação de porta fechada acaba por dar um certo jeito para arrumar questões pendentes, que o tempo mais frenético do dia-a-dia de trabalho não deixava fazer. Estamos também a trabalhar em coisas novas, a escrever novos textos para publicar em novos materiais de divulgação e promoção turística, que esperamos num futuro próximo pôr em prática. Este tempo não significa parar, mas reestruturar o trabalho que é possível fazer. Estamos sempre em contacto com o turismo do Porto e Norte, com outros colegas e serviços, em plataformas online”.

E recorda passados recentes: “Tínhamos muita gente que pedia informação quer por telefone, quer por e-mail. Esta é já uma época alta e o turista, agora, pede informação antes de sair de casa, quer para as festas, romarias, hotéis, e a praia está ai à porta. Foi um serviço que caiu muito, porque na realidade as pessoas estão a cumprir o isolamento social nas suas terras, mesmo no estrangeiro. Praticamente não há viagens turísticas. Acredito que as coisas vão voltar a uma normalidade diferente, mas é natural que voltem a chover as perguntas”.

Mesmo sem a habitual procura turística, Gabriela Azevedo revela que os contactos com as unidades hoteleiras da cidade e concelho foram mantidos: “Temos que estar atualizados mesmo em época de confinamento. Perguntamos se estão abertos e o tipo de serviços prestados. O Hotel Avenida, por exemplo, ficou a apoiar o pessoal hospitalar em tempo de pandemia. Mas na verdade, os Hotéis estão praticamente parados, sem clientes. Também nos contactam para saberem como recorrer às linhas de apoio. Nós temos esse tipo de informação e enviamos a quem nos solicita”.

O Posto de Turismo dos Torreões também promovia no seu espaço exposições: “Tivemos que suspender tudo o que estava agendado e se por um lado as exposições temáticas e de época se repetem anualmente outras vamos ter que reagendar. Estamos ainda a tentar perceber como vamos abrir, quando é que será possível receber pessoas para visitar as exposições. Neste momento não é possível definir datas ou agendar, um trabalho que tem que ser coordenado com a vereadora Lucinda Amorim. Mas ainda estamos à espera de saber o modo de como vamos abrir. Vai ser com certeza de acordo com novas indicações do pelouro, penso que não pode funcionar como antigamente. Quando tivermos que reabrir para receber pessoas a autarquia vai com certeza criar separadores, como tem feito noutros locais de atendimento”.

 


Leia a notícia na íntegra na edição impressa

partilhar Facebook
Banner Publicitário