Voz da Póvoa
 
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O Cancioneiro do Século XVI adquirido pelo Estado português

O Cancioneiro do Século XVI adquirido pelo Estado português

Cultura | 25 Janeiro 2026

 

A recente aquisição, pelo Estado português, de um cancioneiro raro do século XVI é um dos momentos mais significativos da preservação do património literário nacional das últimas décadas. Não se trata apenas de comprar um manuscrito antigo, mas de recuperar uma peça central da cultura portuguesa, com textos inéditos de Camões e de outros vultos da literatura renascentista.

O cancioneiro reúne poemas, sonetos e composições de autores como Gil Vicente, Sá de Miranda, António Ferreira, Jerónimo Ribeiro e António Prestes, oferecendo-nos um retrato vivo da produção literária portuguesa do século XVI. É uma fonte insubstituível para estudar variações textuais, tradições poéticas e a evolução da língua portuguesa, permitindo compreender como se pensava, escrevia e sentia na época quinhentista.

A decisão do Estado de integrar este manuscrito no património público é, acima de tudo, um ato de responsabilidade civilizacional. Não se trata apenas de conservar; trata-se de garantir que investigadores, estudantes e o público em geral tenham acesso permanente a um documento único, que antes poderia desaparecer nas mãos de colecionadores privados.

Neste processo, merece destaque o papel da Ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, cuja visão e sentido de Estado permitiram transformar uma oportunidade histórica em uma conquista do país inteiro. Compreender o valor de um manuscrito quinhentista é compreender o valor da cultura e da memória coletiva, e a Ministra soube agir nesse espírito.

O cancioneiro não é apenas um testemunho do passado. É um instrumento vivo, que nos ajuda a entender a construção da nossa língua, a circulação das ideias e a própria identidade cultural portuguesa. Guardá-lo, estudá-lo e divulgá-lo é afirmar que Portugal valoriza a sua história e investe no futuro, reconhecendo que o património escrito é tão essencial quanto os grandes monumentos ou as obras de arte.

Ao assegurar este manuscrito, o Estado português envia uma mensagem clara: a cultura é soberania, e a memória é prioridade. O Cancioneiro do século XVI deixa de ser apenas um objeto antigo e torna-se uma fonte viva de conhecimento, capaz de inspirar novas gerações de portugueses a conhecerem melhor quem foram e como se tornaram o que são hoje.

Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor

Fotos: D. Reservados

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