Voz da Póvoa
 
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O Caçador de Elefantes Invisíveis Volta a Surpreender

O Caçador de Elefantes Invisíveis Volta a Surpreender

Cultura | 4 Novembro 2021

O escritor Moçambicano Mia Couto apresentou no dia 29 de Outubro, na Biblioteca Diana Bar, o seu mais recente livro “O Caçador de Elefantes Invisíveis”.

O dia anunciou o inverno e a noite confirmou, daí a esperada casa cheia ter abraçado ‘apenas’ cerca de três dezenas de leitores que tiveram a possibilidade de conversar com o autor galardoado em 2013 com o Prémio Camões.

A mesa ofereceu, para além da presença de Mia Couto, o escritor Angolano José Eduardo Agualusa e Luís Diamantino, Vice-presidente e vereador da Cultura, que abriu a sessão agradecendo o reencontro do escritor com os leitores, “cada livro é um retomar de estórias que o leitor sente muitas vezes como suas. Eu próprio fiz uma viagem às minhas estórias”.

Para Mia Couto “Sonhar é escavar lembranças” e por isso “os contos fazem com que regressemos à intimidade das pessoas. São estórias que escrevi também sobre a violência que se soma a outras guerras passadas em Moçambique. A personagem ganha vida própria e é ela que nos conta a estória”. O escritor revelou que tem sempre medo que uma estória não dê certo, “só mesmo no fim, quando as personagens me convencem, é que fico tranquilo”.

Eduardo Agualusa, que escreve para saber, diz que “estes contos trazem o grito do presente que estamos a viver. O problema das estátuas que tem perturbado consciências nos últimos três anos”. Em Moçambique, Luiz de Camões e Vasco da Gama interrogam-se sobre a memória, a identidade ou um momento na história de Portugal. Na realidade, precisamos todos de resolver a nossa solidão e o conto tem a arte de nos surpreender.

Ler “O Caçador de Elefantes Invisíveis” é descobrir que o invisível está habitado de solidão, da capacidade de ser feliz, as doenças, a superação, o amor. Quem escuta não é quem escreve, e ler é entrar pelo caminho do imaginário, da humanização.

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