Voz da Póvoa
 
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Na Busca da Intemporalidade Musical

Na Busca da Intemporalidade Musical

Cultura | 1943 | 12 Fevereiro 2020

Rodolfo Gonçalves da Cunha nasceu em 1993, em Aver-o-Mar. É licenciado em História e é professor de Música. Depois de viajar por vários projectos musicais assentou amarras na banda de covers Intempus, um projecto que vive da interpretação dos temas icónicos e clássicos do Rock. No sábado, a convite da Associação Capela Marta, a banda vai apresentar-se no evento de celebração do S. Valentim. O jantar-concerto acontece a partir das 20,00 horas no Centro Monsenhor Pires Quesado, na Póvoa de Varzim. Na guitarra eléctrica apresenta-se Rodolfo Cunha, no baixo José Carlos Ferreira, na voz e nas teclas Filipe Barros, e na precursão José Carlos Costa.

A Voz da Póvoa – Também é possível dar à música uma data de nascimento?

Rodolfo Gonçalves – Nasceu pela curiosidade de um adolescente. Como gostava muito de música, fui estudar guitarra clássica. Estudei com um aluno da Escola de Música, através de aulas privadas. Depois estudei guitarra jazz com alunos da Escola de Jazz do Porto. Estudei sempre num meio mais informal. Acaba por ser bom porque apanha a boa informação dos meios académicos, mas também o lado mais prático. Digamos que é um ensino menos preso a certas coisas e podemos definir melhor e com mais calma o que queremos. Pelo meio participei em alguns projectos originais e comecei a dar aulas de guitarra e teoria musical relacionada com o instrumento.
 
AVP – Quando é que surgiu o projecto de uma banda de covers?

RG – Foi no final de 2016. Houve um tempo em que, por questões de saúde, tive que parar e a banda podia continuar sem mim, mas funcionou o lado humano e a espera deu os seus frutos. O projecto continuou a ser trabalhado na garagem até que começaram a aparecer os primeiros espectáculos. No ano passado tocamos no Coreto da Praça do Almada, na feira do chocolate, e penso que surpreendemos pela positiva. Somos uma banda de rock um pouco diferente do habitual. Depois tocamos nos Dias do Parque, na Festa da Senhora da Saúde e recentemente no Casino da Póvoa.

AVP – Intempus leva-nos para uma certa intemporalidade musical…

RG – É essa intemporalidade que procuramos levar para o palco. Vem ao encontro da ideia que se foi formando no projecto que era pegar num repertório que fosse à base de canções quase icónicas, que atravessam gerações e certas barreiras musicais. O repertório passa por bandas como os U2, Bon Jovi, Scorpions, Queen. Tem a vantagem de as pessoas conhecerem e acabamos por abarcar várias gerações de público. Também tocamos Rui Veloso, GNR e outras bandas portuguesas. Tentamos pegar num repertório de músicas conhecidas de uma banda, mas sem ser as que toda a gente canta.

AVP – O tempo e a estrada poderão trazer as vossas próprias canções?

RG – Esse poderá ser o caminho, mas queremos crescer primeiro e afirmar o que fazemos. Não queremos confundir a mensagem. Um projecto de covers, de certa forma, é um serviço de entretenimento. Com o tempo vamos introduzir temas originais e tentar ouvir as reacções do público, para perceber se faz algum sentido. Antes de mais está o produto que é vendido desta forma, com a experiência de uma viagem pelo rock. É sempre bom tocar em bares, mas é monetariamente pouco compensador. O material é bastante caro e há sempre riscos no transporte, por isso apostamos mais longe.

AVP – Sei que entre as canções dos outros surgiu um projecto original…

RG – Digamos que o Intempus é aquela banda que os músicos gostam de ter porque toca em todo o lado. Mas o meu verdadeiro propósito é a ‘Banda Fera’, um projecto de originais de rock alternativo, em parceira com o Diogo Marafona, que é um fisioterapeuta que gosta também de bater nas peles de uma bateria. Gravamos um EP, que esteve quase para sair, mas ficou suspenso. Agora estamos a arranjar os músicos certos para voltar a gravar o disco que tanto queremos. É um projecto que tem já alguns anos.

AVP – E se lhe pedisse uma radiografia do músico?

RG – O músico tem as aulas e as bandas para crescer e vai estando disponível para tocar ou acompanhar em palco em colaborações. Dou aulas de guitarra e também já dei classe de conjunto. Nas aulas tento trazer a disciplina que nos é ensinada na vertente mais clássica, mas também procuro conciliar algumas vontades dos miúdos. Na guitarra clássica tento ensinar repertório clássico, mas também a parte mais Pop para eles poderem tocar nas festas da escola. Se for guitarra eléctrica já tento levar mais para o Pop-Rock. Dou aulas privadas e na Escola de Música da Associação de Pais de Laúndos. A música tem o dom de também aprendermos enquanto ensinamos porque os alunos trazem sempre uma novidade e fazem perguntas que nos motivam


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