Voz da Póvoa
 
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“Maria Barroso - Mulher de Causas” e Convicções

“Maria Barroso - Mulher de Causas” e Convicções

Cultura | 21 Julho 2026

 

Cortado o cordão umbilical seria o tempo de crescer em liberdade, tornar-se adolescente, mesmo que conduzidos por uma sinfonia familiar retirada da pauta das gerações, chegaríamos a adultos sem restrições, capazes de imaginar e depois construir o nosso futuro. Mas, há sempre um mas, alguém que pelo poder nos quer calar, manipular, censurar, até nos tornar bichinhos sem razão. Mas, há sempre um mas, o mundo pula e avança atrás de quem não deixa nunca as responsabilidades envelhecer.

Maria Barroso, figura maior da cultura portuguesa, casada com Mário Soares, dedicou uma vida à liberdade e à democracia, onde as causas humanas e sociais tiveram sempre a sua luta e solidariedade, exaltando-as tanto política como artisticamente. Foi uma actriz distinta no teatro e no cinema, amante da poesia, que enaltecia dizendo-a.
Subiu imensas vezes ao palco contracenado com figuras de renome do teatro português. Subiu à cena em diversas peças, entre as quais “Benilde ou a Virgem Mãe”, de José Régio” e “A Casa de Bernarda Alba”, de Frederico Garcia Lorca, esta última actuação, corria o ano de 1948, levou o regime salazarista a proibi-la de continuar a representar. Mas, contra ventos e marés regressaria aos palcos. Em 1966, no Teatro S. Luíz interpretou o monólogo "A Voz Humana", de Jean Cocteau, logo proibido pelo regime. Foi a última vez que representou no teatro. Mas, a actriz também desempenhou papéis no cinema, em filmes como “Mudar de Vida”, de Paulo Rocha (1966) ou “Benilde ou a Virgem Mãe”, de Manoel de Oliveira (1975). Como dizedora de poesia foi também interrogada pela polícia política, acusada de declamar poemas considerados “subversivos” para os bem acostumados.

O combate pela liberdade e pela democracia levou Maria Barroso a integrar várias estruturas oposicionistas e a participar activamente em campanhas políticas que abalaram o regime. Com um papel destacado na oposição, viria a emergir como uma figura central da resistência à ditadura. Quando o Estado Novo caiu de velho, a 25 de Abril de 1974, participou na afirmação política do PS a nível nacional. Foi candidata à Assembleia Constituinte, em 1975, e eleita deputada à Assembleia da República em várias legislaturas, entre 1976 e 1983, ficou na memória uma parlamentar combativa. A sua vida, as suas causas valeram várias distinções e condecorações entre as quais a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, a 7 de março de 1997.

Natural da Fuzeta, em Olhão, Maria de Jesus Barroso, acendeu a luz nos olhos no dia 2 de Maio de 1925, ao colo de uma família de democratas e oposicionistas. Partiu do mundo dos vivos em Lisboa, a 7 de Julho de 2015, aos 90 anos. Foi esta última data que o Presidente da Fundação Gramaxo de Oliveira, Dr. Afonso de Barros Queiroz, escolheu para organizar um colóquio de homenagem “Maria Barroso - Mulher de Causas”, convidando Dom Januário Torgal Ferreira - Bispo Emérito das Forças Armadas e Segurança; Manuela Aguiar - ex-Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas; Vítor Ramalho - ex-Secretário de Estado do Trabalho; Ana Paula Ferreira - Professora da Universidade de Minnesota, e Nassalete Miranda - Directora do jornal As Artes Entre As Letras.

“Meus amigos, há quem diga que o passado não conta: pois é mentira, permitam-me que vos diga. O passado conta quando se continua no presente e se projecta no futuro,” disse um dia Maria Barroso.

Houve ainda tempo para um momento musical pelo violoncelista Gonçalo Pires, da Royal Academy of Music de Londres, acompanhado pela pianista Rafaela Oliveira.

Por: José Peixoto
Fotos: Rui Sousa

 

Ainda referente ao Colóquio “Homenagem a Maria Barroso” na Fundação Gramacho

O Presidente da Fundação, Barros Queiroz, referiu as numerosas personalidades que agradeceram o Convite para o Colóquio "Homenagem a Maria Barroso - Mulher de Causas", lamentando não poder assistir e felicitando a Fundação pela iniciativa:

Prof. Doutor Augusto Santos Silva, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-presidente da Assembleia da República, Prof.ª Doutora Isabel Pires de Lima, ex-ministra da Cultura, Prof. Doutor Álvaro de Vasconcelos, fundador do Fórum Demos, Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor D. José Cordeiro, Arcebispo Primaz, Sua Excelência Reverendíssima D. Manuel Linda, Bispo do Porto, Dra. Luísa Salgueiro, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dra. Andrea Silva, Presidente da Câmara Municipal da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Prof. Mário Passos, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Dra. Margarida Pereira, Directora da Escola Secundária Augusto Gomes, Juiz Desembargador Conceição Sampaio, Vice-presidente da Comissão de Proteção ao Idoso, Arq.º Álvaro Siza, Prof. Doutor Manuel Sobrinho Simões, fundador e director do IPATIMUP, Prof. Doutor Levi Guerra, Prémio Nacional de Saúde 2013, Prof. Doutor José Fleming de Oliveira, D. Ion de la Riva, Cônsul Geral de Espanha, Dr. António Saraiva, Presidente Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, Doutor António Pinto-Marques, Presidente do Grémio Literário, Eng. José Monteiro de Morais, Doutora Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud, Dr. Augusto Aguiar Branco, Presidente da Fundação Eng. António de Almeida, Prof. Doutor António Carmona Rodrigues, Presidente da Fundação Cidade de Lisboa, Rui Pedroto, Director executivo da Fundação António da Mota, Doutora Maria do Rosário Alvellos, Presidente da Federação dos Amigos dos Museus de Portugal, Prof. Doutor António Pinto Monteiro, Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, Prof. Doutor Rui Martins, Vice-reitor da Universidade de Macau, Doutora Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, Prof. Doutor Luís Reis Torgal, Prof. Doutor José Esteves Pereira, Dr. Nuno Botelho, Presidente da Associação Comercial do Porto, Doutor Kalid Sacoor Jamal, Presidente Executivo da ICLA-Portuguese-Arab  Association For Cooperation, Dr. Manuel Tavares, Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Doutor Adolfo de Castro e Brito, Consultor de empresas, Coronel Paulo Rainha, Comandante da Escola dos Serviços do Exército, Presidente do Conselho Diretivo da FLAD - Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Dr. José Manuel Durão Barroso, tendo Mariana Monteiro do Gabinete do Presidente do Conselho Executivo, enviado a seguinte mensagem: “Encarrega-me o Senhor Presidente do Conselho Diretivo da FLAD, Dr. José Manuel Durão Barroso, de agradecer o amável convite para o Colóquio "Maria Barroso - Mulher de Causas", a ter lugar hoje, mas por compromissos assumidos anteriormente nesta mesma data não poderá estar presente, desejando os maiores sucessos à iniciativa em apreço”.

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