Voz da Póvoa
 
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Festival de Música da Póvoa para o Mundo

Festival de Música da Póvoa para o Mundo

Cultura | 23 Outubro 2020

O mais persistente e demorado abraço deixou semeado, em 16 dias, pelos corações a recriação da sensibilidade criativa dos compositores, músicos e intérpretes das palavras, vozes encantatórias. A sala do Cine-Teatro Garrett, a Igreja Matriz e a Igreja Românica de S. Pedro de Rates guardam ainda os ecos da memória criativa e colectiva dos sons que se tornaram clássicos.

Rui Vieira Nery avisou logo na partida, do 42º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, que a chegada seria recebida em aplauso, quando proferiu uma conferência para celebrar o 100º aniversário de Amália Rodrigues, a nossa maior voz. Depois, em dias distintos, os nove concertos trouxeram alguns dos melhores executantes musicais nacionais e internacionais, que cimentaram ainda mais as quatro décadas de história do aclamado evento cultural.

As circunstâncias em que decorreu o maior evento cultural da cidade foram bem diferentes do habitual. Com as exigências compreensíveis da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que limitou significativamente, o número de pessoas, o espaço de concerto afastou o afecto que se ouvia, por vezes, em cada nota de música ou na voz de Raquel Camarinha, a exemplo de outras que arrepiaram a pele dos presentes.

Contar o vivido é também lembrar quem através da RTP se sentiu envolvido num mundo de sons que só nos quer bem. É certo que também nos conta a dor e o sofrimento, mas o sentimento que transmite é sempre um lugar feliz. E se assim não fosse, o emotivo concerto final na Igreja Matriz não nos deixaria envolver na película sonora que o agrupamento barroco Kölner Akademie e o grande oboísta Albrecht Mayer, sob direção musical de Michael Willens, em carne e osso nos trouxeram.

Ficou uma certeza. A capacidade de superação dos envolvidos, não só na programação do evento, como na sua promoção, foi um desafio que podendo ser alcançado, só a juventude, a persistência e um corpo musical na pele de Raul da Costa, tornou possível deixar uma pandemia à porta. Sabemos também que a autarquia nunca esmoreceu e a Direcção-Geral das Artes disse presente.

“Estou feliz e orgulhoso pelo enorme esforço da equipa organizadora, logística e artística que tornou possível organizar um evento com a dimensão e qualidade reconhecidas e, ao mesmo tempo, respeitar todas as exigências da DGS com sucesso. Este ano conseguimos chegar muito além do habitual público da sala, com transmissões da mais alta qualidade, tanto pela equipa da RTP, como pela equipa da Insónia Audiovisual. Deste modo, alcançamos milhares de pessoas, que ficaram agarradas aos nossos concertos online por durações muito elevadas, em muitos países, tanto na Europa como na Ásia, o que faz desta edição, com público e em streaming, um sucesso e algo para manter no futuro”, concluiu o director artístico do festival, Raúl da Costa.

E concluiu: “Tivemos o luxo de ter um elenco artístico fora de série, aliando músicos portugueses a nomes de renome mundial, que muito louvaram o FIMPV. A luta e dedicação para que tal aconteça e que a cultura permaneça como parte do ADN da Póvoa de Varzim e de Portugal é algo absolutamente único nos nossos dias, que serve de exemplo para outras instituições e um marco cultural nos dias de hoje”.

Por outro lado o Vice-Presidente e Vereador da Cultura, Luís Diamantino, sublinhou que superadas as dificuldades: “Conseguimos demonstrar que a Cultura tem que ser uma escolha certa, o que deixa um sentimento de recompensa num tempo tão incerto”. E acrescenta: “A ação cultural depende, sobretudo, das parcerias dos municípios, das associações e, neste caso, do Ministério da Cultura”.

 

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