Voz da Póvoa
 
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Eu Hei-de Voltar

Eu Hei-de Voltar

Cultura | 1949-B | 8 Abril 2020

Confinado às paredes da minha Casa, pelas razões que são de todos conhecidas, dei comigo esta noite a pensar nos hábitos simples de vida que tenho e me fazem feliz e dos quais me encontro privado.
Pensei na Minha Terra e na falta que me faz...
O acaso quis que uma folha de papel, virgem, quase imaculada, me olhasse de soslaio, paciente mas expectante...
Como que por imperativo da alma, peguei na caneta e impaciente, fiz-me palavras...

Sei que não são eruditas ou dignas de admiração, mas foram escritas com paixão.
Uma paixão pela Vida e pela Póvoa que, sei, muitos partilham.
É pois nesse espírito de partilha que me atrevo a enviar este singelo texto, escrito depressa mas não à pressa, sentido, sofrido...

É um texto simples, dum simples Homem que aprecia as coisas simples da vida...

Eu hei-de voltar…

Eu hei-de voltar à “Junqueira”
Só para te ver passar…

Hei-de voltar ao “Mercado”
Para comprar como quem a um amigo vai visitar…

Hei-de voltar ao “Tertúlia”
Pedir um copo, ler um livro e deixar o tempo passar…

Hei-de voltar ao “Garrett”
Para o “Correntes” ou para ouvir cantar…

Hei-de voltar ao “Varzim”
Só para “Te Apoiar”…

Hei-de voltar ao S. Pedro,
À noite branca, às procissões,
aos dias do Parque,
às emoções…

Hei-de voltar à praia
Sentir a brisa do mar, “ressuscitar” …

Eu hei-de voltar aos afetos,
eu hei de voltar a abraçar…

Não sei quando…
Mas sei que hei-de voltar!


Carlos Marques

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