Voz da Póvoa
 
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As “ILHAS” de Rui Maio Sousa

As “ILHAS” de Rui Maio Sousa

Cultura | 24 Fevereiro 2026

 

Na 27ª edição do Correntes d'Escritas, Rui Maio Sousa inaugura “ILHAS”, no dia 25 de Fevereiro, pelas 18h30, uma exposição de fotografia Na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, Póvoa de Varzim 

A exposição entre: 25 de Fevereiro a 28 de Março 2026

Rui Maio Sousa, natural da Póvoa de Varzim, é fotógrafo e formador com mais de 30 anos de experiência na área da fotografia e do audiovisual. Licenciado pela Escola Superior Artística do Porto, alia o domínio técnico à sensibilidade artística, explorando múltiplas vertentes da imagem, desde o fotojornalismo à fotografia de autor e documental. 

Ao longo da sua carreira, tem sido uma presença constante em eventos culturais, atua como fotógrafo oficial em importantes iniciativas como o Festival Literário Correntes d'Escritas e participa como júri em concursos e provas de aptidão profissional. Além disso, é um dedicado formador, tendo lecionado diversos cursos que procuram transmitir conhecimentos teóricos e práticos a novas gerações de fotógrafos. 

Com várias exposições individuais e coletivas realizadas em Portugal e no estrangeiro, a sua obra destaca-se pela profunda ligação ao território e à memória local, visando captar a essência das pessoas, dos espaços e das tradições. A sua trajetória também se destaca pela capacidade de unir a arte e educação, tornando-se uma referência na fotografia da região.

ILHAS

Entrada apertada, caminho estreito de terra batida, latrina a céu aberto, descarregando os dejetos para uma linha de água.
 
Casas agarradas umas às outras com uma cozinha que era a casa toda, a cama embutida na parede e eu com 7 anos, ao entrar na Ilha em que moravam os meus avós, fazia por bater em toda a roupa, que secava numa corda flácida encostada às paredes despintadas das casas. 

Esta imagem repetia-se por vários espaços da nossa localidade e por todo o país. 
As pessoas amontoavam-se nesses tugúrios, as crianças inventavam brincadeiras, as mulheres iam lavar a roupa ao riacho ou no tanque de cimento que servia todo o casario. 

Casas de madeira e, lá ao longe, avista-se o farol da dignidade. Muito longe, no tempo e no espaço. 

Não faltava lixo a toda a volta, mas tudo servia para construir aventuras de capa e espada e cavalos de pau encostados aos muros de pedra, que separavam a realidade do sonho e da imaginação. 

São imagens que marcaram a nossa infância e ficaram gravadas na nossa memória. 
Não serão esquecidas para que não se repitam e Rui Sousa trouxe-as do fundo dos tempos até nós, e o que é mais importante, até aos nossos sucessores. 

A Arte tem o dom de nos "desinquietar", de nos levantar do sofá e de sermos os outros. 
Fica um agradecimento a toda a comunidade por termos conseguido, em união, ultrapassar estes obstáculos. 

Fica um profundo agradecimento ao Rui Sousa por ter sabido fixar esses momentos, recorrendo à sua arte de dizer muito sem palavras. 

Luís Diamantino

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