Voz da Póvoa
 
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Afonso Pinhão Ferreira ‘Explicou’ Obra de Paula Rego

Afonso Pinhão Ferreira ‘Explicou’ Obra de Paula Rego

Cultura | 22 Julho 2022

 

Paula Rego em 2021 foi considerada uma das 25 mulheres mais influentes do mundo pelo Financial Times. Esta dedicatória à enormidade da criadora de histórias em tela bastaria para se perceber a dimensão da arte concebida pela artista, nascida a 26 de Janeiro de 1935, em Lisboa. Como a mais suave das pinceladas, viria a eternizar-se, a 8 de Junho de 2022, em Londres.

“É sublime, importante e vasta a sua obra, o que dificulta seleccionar as características mais peculiares e definidoras do seu estilo adquirido. Essa vastidão torna muito subjectivo analisar o percurso evolutivo da artista, bem como valorizar o impacto da sua obra, quer no meio artístico quer na comunidade em geral”, palavras que serviram a abertura da conferência ‘A Dimensão Cultural da Obra de Paula Rego’, proferida por Afonso Pinhão Ferreira, experimentado garimpeiro da criação artística.

A ideia de convidar a comunidade a saber um pouco mais sobre a artista portuguesa partiu do Rotary Club da Póvoa de Varzim, que na segunda-feira, dia 18 de Julho, encheu a sala de exposições e actos culturais da Cooperativa A Filantrópica, onde marcou presença a Vereadora do Turismo, Lucinda Amorim.

“O movimento Rotary impulsiona os seus membros a darem de si antes de pensar em si”, referiu Maria José Regufe, Presidente do Rotary Clube da Póvoa de Varzim, desta forma agradecendo a disponibilidade do membro rotário, desde 1989, e Presidente da Assembleia Municipal da Povoa de Varzim, Afonso Pinhão Ferreira. 

Contagiados pela inquietação provocada pelo conferencista, “algum estado de loucura nos atingiu, para estarmos aqui reunidos”. Mais do que lembrar os prémios e as honrarias que recebeu ao longo do seu percurso artístico, é importante saber que “as histórias de Paula Rego são narrativas e mais não são que sugestões. Em vez de ir buscar histórias já feitas e delas se apoderar, dá preferência a trabalhar com contos que fazem parte de si própria, mas podem também vir a fazer parte do observador. Paula Rego reconheceu que as suas histórias têm uma forte dose de autonomia, falam por elas.” E Afonso Pinhão Ferreira recorda que a pintora, “até 1980 expressava-se de forma livre e solta, sem modelos, depois a sua obra passa a ter essa exigência.

A sua expressão imaginativa que preenche importantes espaços museológicos do mundo, o reconhecimento enquanto artista, uma obra ímpar onde os personagens são “dignos habitantes de uma narrativa”, nas palavras de Paula Rego o quadro saía da “orgia do pensamento”. Há uma fase da artista atravessada por “alucinações com colagens de memórias, de gestos, na imagética da pintora”. Para Afonso Pinhão Ferreira, o rapar da barba traduz “a carreira dúbia de uma navalha”.

Pintar à vista “a anatomia do amor” é embarcar na Casa das Histórias de Paula Rego. Crucificada pelo amor “partiu para o gigantismo, sem nunca deixar de ser uma pintora livre, figurativa e narrativa”. A mulher cão e outras reinvenções. Tudo o que o cão é capaz de fazer, ser boneco e pessoa. A dor do humano ao animal. O aborto praticado pelo amor livre da pintora. “O corpo é uma instância dramática” ao mostrar a rudeza necessária para que nos sintamos representados. O sol, só pelo prazer de lhe dar uma luz eterna, é uma transgressão do natural que se apaga. Acende em cada dia ou talvez não. “Quando tínhamos uma casa no campo, éramos como cães vadios, livres”. 

A pintura de Paula Rego respira uma fálica posição. Talvez por isso, Afonso Pinhão Ferreira pede um Anjo da guarda que a guarde para sempre “para a proteger e a vingar”, no universo da criação.

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