Voz da Póvoa
 
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A Vila do Sol (ainda) Escondido

A Vila do Sol (ainda) Escondido

Cultura | 16 Maio 2021

Entramos já na recta final de Abril, a temperatura encontra-se bastante amena, pairando sobre o concelho vila-franquense uma pequena brisa marítima. No Inverno as temperaturas raramente andam abaixo dos 14ºC, e no verão também nunca passam os 25ºC, mantendo-se por aqui as ditas “quatro estações num dia”, que não é mais do que a manifestação viva de um clima bem temperado.

A Primavera chegou, entretanto, à Vila, terra que já foi o principal povoado da ilha de São Miguel, onde vivem actualmente cerca de onze mil habitantes, se contarmos também com as freguesias de Água D´Alto, Ribeira das Tainhas e Ponta Garça. A vila tornou-se conhecida pelo seu ilhéu, pela largura da sua paisagem e extensão dos seus campos, conhecida nos nossos dias pela variedade da sua arquitectura civil e religiosa, oscilando entre o branco e o cinza, tão presentes no centro histórico, bem como pelas suas produtivas estufas de ananases.

Quem normalmente aqui aporta, tem muitas vezes como intenção subir até à Ermida da Nossa Senhora Paz, a sua edificação remonta ao século XVI, tratando-se de uma longa escadaria propícia à visão do panorama e ao exercício pedonal. Na descida até ao centro reparamos que as suas ruas são propícias a passeios e à contemplação, pressentindo, por instantes, um ou outro andamento oriundo de um passado mais movimentado, porventura, a memória pendular do transporte dos citrinos, a vivacidade e tenacidade de outrora. Ou, se quisermos, recordar como seria o seu movimento antes do violento sismo de 1522, que modificou para sempre a sua morfologia e despontaria por estas alturas do ano a devoção dos romeiros que todos os anos se cumpre.

Aproveite-se, assim, para ir até ao porto em que se avista um pequeno barco no cais, denominado de “Flor de Maio”, à espera que outros se juntem no regresso da faina. Logo ali, um pouco mais à frente, encontra-se a “Vinha da Areia”, uma praia que se reveste de um pequeno areal, com duas rochas enormes no meio a separar. Entretanto, é hora de provarmos nos restaurantes as iguarias gastronómicas, que passam inicialmente pelas cracas e o queijo fresco, seguindo-se o “arroz de lapas” ou o “polvo guisado”, culminando o repasto com as afamadas queijadas da Vila.
 
Por último, é comum escutar nestas noites primaveris o som peculiar dos cagarros agora regressados. Certo que se estranha, mas que logo se abraça e se entranha, à semelhança das cores e dos cheiros que agora se expiram e inspiram.

Texto: Fernando Nunes Fotografia: Carlos Olyveira.

 

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