Voz da Póvoa
 
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A Poesia Saiu à rua Num dia d’Escritas Assim

A Poesia Saiu à rua Num dia d’Escritas Assim

Cultura | 6 Março 2026

 

Há literatura a escrever a cidade. Cego do Maio era analfabeto, nunca conseguiu ler o que dele se escreveu. Isso não menorizou os seus feitos, tal como nenhum livro pretende fazer de nós melhores pessoas. É o leitor que na sua entrega aos personagens de um conto, de um romance, de um poema se pode sentir plasmado, enriquecido e até compreendido como pessoa. 
  
Ouvir, pode encontrar-se com a voz que o autor escreveu, que nem sempre é a mesma e com a mesma interpretação. Os dias são desiguais, destemperam intenções, tristezas e alegrias. Nem sempre sorrir significa felicidade. Também quem nos aparece no acaso e nos diz um poema, quer apenas chegar a nós. Depois, com a nossa vontade rasgamos o verso ou o coração.

Assim se comportam as Vozes Transeuntes nas ruas da poesia que mais uma vez abriram no dia 21 de Fevereiro, no Mercado Municipal e na rua da Junqueira, o festival literário Correntes d’Escritas, que se apresenta na sua 27ª edição. 

Isaque Ferreira, João Rios, Renato Filipe Cardoso, Rui Spranger, Francisca Bartilotti e Sandra Salomé, nomes que trouxeram à palavra dezenas de outros nomes consagrados ou menos, sempre capazes de nos surpreender, interrogar, desassossegar. A poesia é uma arma que se ouviu também nos dias 23 e 24 pelo Cine-Teatro Garrett, por várias escolas do concelho, primárias e secundárias, pelas ruas, pela Câmara Municipal, pelos Centros Ocupacionais, pela ‘Casa’ que é o Correntes d’Escritas.

Há muitos lugares onde a poesia acontece, mas se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha, por isso esta iniciativa é de louvar. Outras nem tanto. Este ano não há prémio literário “Casino da Póvoa”, mas há livros que o mereciam. A empresa Varzim-Sol, ao que tudo indica, não irá continuar com a concessão da zona de jogo, razão pela qual não renovou o apoio financeiro ao prémio literário, no valor de 25 mil euros. Não sei se rima, mas Dostoyevsky escreveu muita obra-prima e consta que não recebeu prémio algum.

As palavras com dedicatória acontecem no último dia do Correntes d’Escritas e vão para Francisco Guedes, um dos criadores do evento literário que tornou a Póvoa pioneira na promoção deste tipo de certames.

Por: José Peixoto
Fotos: Rui Sousa

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