Voz da Póvoa
 
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A Matança do Porco Recordada à Mesa de Rates

A Matança do Porco Recordada à Mesa de Rates

Cultura | 1946 | 4 Março 2020

A matança do porco não se anunciava, mas era consumada entre o frio e o inverno. É uma tradição que, perdendo-se no tempo, se mantém ainda viva na memória das gentes mais enraizadas da aldeia, mas a cidade também a viveu nas suas casas de quintal.

Os vizinhos juntavam-se e organizavam-se no agarrar do porco. Depois era colocado em cima de um banco, bem seguro por músculos e cordas, se necessário. O homem da afiada faca, o matador, com mestria de um golpe rápido e certeiro, espetava até ao coração do porco. Cabia às mulheres a função de aparar o sangue, com um alguidar de barro. Vinho, cebola e sal eram mexidos, entre o sangue, para não coalhar.

Posteriormente, o porco era chamuscado na pele e no pelo com palha de centeio. Seguia-se o raspar do couro com facas e procedia-se à lavagem com água do poço. A barriga do porco era aberta e as tripas retiradas para um alguidar. Depois era pendurado numa trave da adega ou de uma arrecadação da casa, de cabeça para baixo para enxugar e enrijar a carne. Os dias seguintes chegavam para lavar as tripas na fonte ou no ribeiro e esquartejar o porco. As chouriças de carne, de sangue, de febra, os enchidos, a carne de fumeiro e os presuntos nasciam pelas mãos sábias do povo.

Em São Pedro de Rates, terra de agricultores e seareiros, esta tradição era prática de quase todas as casas. E quando a matança acontecia, era hábito juntar à família os amigos, tal como aconteceu no Domingo Gordo, no Salão de Artesanato.

O convívio juntou à mesa cerca de 500 pessoas, o que deixou Paulo João, presidente da Junta de São Pedro de Rates, satisfeito e agradecido: “Este ano o almoço calhou no Domingo Gordo e há pessoas que gostam de reunir a família em sua casa. Tivemos menos gente que no ano passado, mas mesmo assim um terço da freguesia está aqui. Primeiro, porque é uma tradição bem servida e, segundo, porque estão em união. As mesas de famílias formam uma só família. As associações estão todas representadas, num clima de amizade e colaboração”.

E acrescentou: “Destaco a colaboração da Associação de Amizade de São Pedro de Rates e do Rancho Folclórico de São Pedro de Rates, que este ano festeja meio século de existência e a Junta de Freguesia, em colaboração com a Câmara Municipal, vai programar uma homenagem e o seu reconhecimento”.

Paulo João revelou ainda que será candidato a novo mandato à frente da Junta de Rates: “Estamos a realizar obras de fundo muito importantes e estruturantes. Se o actual presidente da Câmara Municipal, Aires Pereira, se candidatar, eu também avançarei. Rates tem excelentes equipamentos. Depois destas obras concluídas, necessitamos de uma rede viária renovada, até porque está em concurso a concessão de transportes públicos que vão servir a nossa freguesia com uma maior regularidade”.

Quem também marcou presença no almoço foi Andrea Silva, vereadora da Coesão Social: “É muito bom constatar que ainda existem convívios com esta dimensão e com esta forma de ser tão humana que começa a desaparecer das nossas vidas diárias. O facto de estarmos todos muito ligados às novas tecnologias, tão juntos e ao mesmo tempo tão longe uns dos outros, faz com que o contacto humano seja cada vez mais raro. É muito bom este sentimento de partilha, de comunhão e de união, que começa a ser cada vez mais raro, mas que temos de continuar a manter e a merecer”.

Luís Diamantino, vice-presidente do Município da Póvoa de Varzim, também fez questão de enaltecer uma tradição que continua a unir as famílias: “Esta possibilidade de conviver não se pode perder. Aqui somos todos a família de São Pedro de Rates. Nos dias que correm, é de louvar ter à mesa os netos, os filhos, os pais e os avós”.

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