Voz da Póvoa
 
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A Filantrópica Reabriu com Arte

A Filantrópica Reabriu com Arte

Cultura | 16 Maio 2021

Originalmente foi a Casa do Operário, não estranha por isso ter sido escolhido o Dia do Trabalhador para reabrir ao público o velho edifício da Cooperativa Cultural A Filantrópica, recuperado da angustia e requalificado com arte pelos arquitectos Rui Bianchi e Ribeiro, merecendo por parte da autarquia um investimento de 370 mil euros.

Para memória futura o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, acompanhado pelo Presidente do Conselho de Administração d’A Filantrópica, Luís Alberto Oliveira, descerraram uma placa alusiva ao acto de fazer regressar uma casa de culturas.
Para o Edil a requalificada do histórico edifício, “é fruto do trabalho que vimos fazendo de envolvimento das nossas associações locais, dando-lhes condições para desenvolverem as suas actividades. Queremos uma cidade viva, dai apoiarmos a requalificação de equipamentos culturais. Temos esta política descentralizada de investimento do município, valorizando os parceiros que em cada área melhor desenvolvem o seu papel. Temos aqui uma obra que ilustra A Filantrópica, o local onde ela está, no início do Bairro Sul, um ponto de vivência e encontro. É uma caixa de luz, porque também é um centro de exposições. Por isso esperamos ter, do investimento que fizemos, um enorme retorno cultural”.
 
Por outro lado, Luís Alberto Oliveira reconheceu que o esforço valeu a pena e dedicou a reabilitação d’A Filantrópica a todos os elementos que serviram a instituição ao lingo dos seus 85 anos de existência: “Uma obra com estas características e uma casa com este historial só podia ter este merecimento. Agora importa olharmos para o futuro e esperar que esta casa possa ser aquilo que nós ambicionamos, uma casa para fruição cultural. Neste momento pretendemos recuperar as 26 iniciativas que tivemos que interromper por força da pandemia. Depois disso daremos continuidade a outras ideias que estão na forja”.

O momento foi abrilhantado com a clássica música de um quinteto de professores da Escola de Musica. Mas, o acaso nos diz que há sempre um caso para rever a maçã ou “A serpente, Espelho de Eva”, porque é bom pecar aqui, com a arte de Afonso Pinhão Ferreira, que pode visitar n’A Filantrópica até 15 de junho.

O chão caiu sem ruido com a maçã nas mãos porque a vida é uma tentação, “sobretudo quando as pessoas levam a vida a pensar que ela só tem sentido se colocarem em prática a sua imaginação. Pena é que a maior parte das pessoas não pensem assim. A coisa mais fantástica que há é um ser humano pensar que não existe apenas, que também vive. Ou seja, a existência da vivência. Viver é pensar, imaginar, é agir de acordo com a sua imaginação. E sobretudo aqueles que se dedicam à arte, têm que ir um pouco mais além do que a própria existência. A arte é a suprema manifestação humana, porque ela de facto faz com que nós não sejamos apenas animais existenciais, dá sentido à vida”, refere Afonso Pinhão Ferreira.

A obra de um artista é sobretudo percursos narrativos: “Sou retratista, a expressão humana cativa-me bastante, porque pode ter no olhar e na expressão um percurso narrativo daquela pessoa. A partir daí procurei seguir um caminho por assuntos temáticos, dilemas, problemas oportunos dentro da sociedade actual. Lembrando-me do sofrimento que a mulher teve ao longo dos séculos e do problema histórico-social relativamente à religião e à tentação que a mulher provocava e à necessidade de criar a noção do pecado, concebi algumas peças, além daquelas duas iniciais feitas em 1997, em que um dos quadros é uma alusão ao Gustav Klimt muito interessante. Acho que é importante um artista ter uma ligação entre as suas obras, o tal percurso narrativo que falamos. Depois, toda a arte é representação e a natureza não tem só que ser consumida, pode ser também aproveitada”. 

 

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