
É válido para todos, ao contrário da língua o olhar assume uma certa universalidade tal como as emoções, embora cada um veja ou sinta de modo diferente. A tarde do dia 10 de Janeiro, na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto foi de cores e de cheiros africanos com a inauguração da Exposição “Kuchonga”, de Guedes Raul Tsane, que pode ser visitada até 14 de Fevereiro.
A palavra “Kuchonga” significa Bonita, sendo um termo da língua Ronga (língua da família Bantu), falada em Moçambique, principalmente na região sul do país, especialmente na província de Maputo e arredores. Porque é bonita a colecção de telas e desenhos apresentados é também bonito para Guedes Tsane “realizar este sonho, dar cor e continuidade aos trabalhos dos meus avôs”.
Recordamos que o artista moçambicano é neto de Malangatana, um dos mais reconhecidos artistas de África, e que chegou a participar no Correntes d’Escritas.
Podíamos pintar com outras palavras, mas ‘Kuchonga’ apresenta “pinturas que, por meio de formas e cores, retrata sentimentos, histórias, olhares e saudade. Presta uma homenagem ao povo africano e, em especial, às mulheres que, com força e resiliência, moldam e transformam as suas realidades todos os dias. A mulher africana é símbolo de coragem, guardiã da cultura e artífice da vida comunitária. O seu quotidiano é um reflexo da luta, do amor e da preservação dos valores ancestrais, enquanto a sua presença traz equilíbrio e beleza ao quotidiano. As obras expostas nesta exposição homenageiam essa força, retratando momentos do dia-a-dia, tradições e histórias que exaltam a feminilidade e a resistência cultural. Assim, "Kuchonga" torna-se também uma celebração da identidade africana, que se reinventa e se fortalece através da arte”.
Guedes Tsane emocionou-se ao falar da sua obra onde, entre outros, alguns dos personagens das telas são pessoas próximas, familiares, histórias de vida que marcam, do meio rural “que nos absorvem como artistas”.
Presente na inauguração, o Vice-Presidente da Câmara Municipal, Octávio Correia, elogiou o trabalho do artista que vive há 8 anos na Póvoa de Varzim, um poveiro adoptado, e lembrou que também ele veio de África, Angola, reconhecendo na obra exposta na Biblioteca as cores de uma identidade.
Entre olhares, conversas, poemas, comprometimentos, um violino no feminino com mãos de Angola sobre as cordas atravessou a paisagem de saberes africanos com os sons que o sentimento liberta quando se inquieta.
Por: José Peixoto