Voz da Póvoa
 
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Turistando Lendas e Lugares – Divina Bruxaria

Turistando Lendas e Lugares – Divina Bruxaria

Opinião | 1959 | 12 Agosto 2020

“ — Nada de mal pode entrar nessa casa, porque a nossa mãe é uma bruxa muito poderosa!”
Diz a Maria muito convicta em resposta às tentativas do Sebastian de causar-lhe arrepios com histórias fantásticas.

Não posso-me furtar de sentir orgulho da afirmação pois muito embora eu não possua poderes sobre-humanos que me permitam consertar o espaço ao meu redor sempre fiz o possível para melhorar-me, aprender, plantar boas sementes, regá-las e distribuir seus frutos. Creio que em teoria é o que prega qualquer religião.
 
Pena a palavra ainda nos dias de hoje trazer um conceito tão distante daquilo que realmente significa.

Ser bruxa/o não é ser malévolo ou compactuar com qualquer tipo de força demoníaca (aliás, desconfio severamente que o demónio apenas existe dentro dos homens).

Antes pelo contrário: toda a pessoa que carrega em si o desejo de comungar com o universo, que reconhece o divino em cada ser, em cada um dos elementos. Quem ainda é capaz de admirar e impressionar-se com as forças da natureza, que anseia por construir um mundo mais justo, mais fraterno, mais próspero. Que dedica-se a curar, a ouvir, a acarinhar, a transformar tristeza, doença, miséria, ódio, em alegria, saúde, riqueza e amor. Que estende a mão ao próximo, que é justo, fiel e leal com a própria vida, traz dentro de si o espírito de uma bruxa/o.

E nós, mulheres, somos especialmente abençoadas pois carregamos no ventre o próprio universo! A capacidade de gerar e transportar para o mundo um outro ser é divina por natureza.

Somos a manifestação do que há de mais mágico no mundo, e isso sem precisar de encantamentos ou poções, sem precisar cultuar Deus ou Deusa nenhuma.

A sabedoria que adquirimos ao sermos mães, de filho parido ou adoptado, por si só confere-nos o "direito" à designação de bruxas no seu sentido mais íntimo.

O planeta já viu "guerras santas" suficientes por milhares de anos. É chegada a hora de escolhermos ter mais religiosidade e menos religião.

Independentemente da vossa fé respeitem o próximo! Usai a fé para o bem, para reger a vossa vida de forma a ter rectidão de carácter, bons princípios e atitudes para que respeitei-vos a vida e o planeta.

Dessa forma estareis a cultuar e honrar o vosso Deus, independentemente do nome que dei-vos a ele.

O divino entregou-nos a chave do mundo, cabe-nos garantir que ele seja um lugar maravilhoso! Lembrai-vos: temos o poder de fazer dele paraíso ou inferno, encanta-me o paraíso e em prol dele trabalho e para vós? O que será?

Maria Beck Pombo

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