Voz da Póvoa
 
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Nas Livrarias “Regresso a Casa” com a Poesia

Nas Livrarias “Regresso a Casa” com a Poesia

Cultura | 1958 | 29 Julho 2020

 

Os poemas são objectos da solidão. Talvez escrever o seja, mas só uma imaginação habitada e esclarecida pode inquietar uma palavra, as palavras. A viagem pode ser apenas sonhada mas a narrativa não deixa de percorrer os lugares da carne, do amor, da perda. E, porque contar nem sempre nos diz, damos passos em verso até ao poema.

 

Foi o que José Luís Peixoto fez doze anos depois de “Gaveta de Papéis”, com o “Regresso a Casa” e à poesia.

 

Direi ainda com as palavras encontradas que, “o novo livro do autor de Autobiografia fala-nos a partir das quatro paredes de uma casa – e de todas as suas recordações em tempos de pandemia. Evoca a solidão, o isolamento, as portas fechadas, mas também a solidariedade das recordações: a mãe, os aromas, a família, a aldeia, o amor”.

 

Quando folhear cada página vai encontrar “espaço para a recordação da infância como para a peregrinação pelo mundo inteiro, como um Ulisses em viagem perpétua, rodeado de objetos próximos e voltado para dentro, para o lugar onde se regressa sempre: a casa”.

 

«As estantes são ruas. Os livros são casas onde podemos entrar ou que podemos imaginar a partir de fora. Há livros que visitámos e há livros onde vivemos durante certas idades, conhecemos cada uma das suas divisões, trancámo-nos por dentro. Fomos jovens durante tantos capítulos mas, de repente, um dia, apercebemo-nos de que restavam cada vez menos páginas entre o polegar e o indicador.»

 

Este “Regresso a Casa”, de José Luís Peixoto, chega às livrarias a 14 de Agosto.

 

José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974. É um dos autores de maior destaque da literatu-ra portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e es-trangeiras.

Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d’Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu de 2012. Em 2016, com Galveias, recebeu o Prémio Oceanos para a melhor obra literária em língua portuguesa do ano anterior. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil), entre outros. Na poesia, Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Socie-dade Portuguesa de Autores.

Em 2012, publicou Dentro do Segredo – Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. A sua mais recente obra é Autobiografia (2019). Os seus romances estão tradu-zidos em mais de trinta idiomas.

 

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