
Não há vazios na música, até as pausas são silêncios combinados, capazes de nos fazer esperar por outra nota, outro som, até uma adivinhação do nosso querer ouvir. A música é uma espiritualidade numa pauta invisual que só os humanos são capazes de interpretar, mas há pássaros atentos que nos inspiram, há animais desorientados que nos organizam, há árvores e metais que nos oferecem a vida em troca de instrumentos. Ao Ser resta-lhe perceber que a natureza é a mais perfeita das orquestras.
Entre 5 e 25 de Julho regressa para a sua 48.ª edição o Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim (FIMPV), promovido pela Associação Pró-Música com o apoio do Município. A apresentação do evento foi na biblioteca Diana Bar, no dia mundial da Criança, onde o sonho começa.
Logo no primeiro dia do Festival, na Igreja Matriz, Jordi Savall, regressa oito anos depois com a proveta idade de 84 anos, pleno de vitalidade, “um dos artistas mais aclamados da história do festival e também a nível mundial”, revelou o pianista e director do FIMPV, Raúl da Costa.
No dia seguinte, 6 de Julho, Rui Vieira Nery irá marcar presença no Festival pela 25ª vez consecutiva para nos falar sobre “A constante redescoberta da música antiga”. Desta vez, a tecnologia vai dar uma ajuda, a conferência surgirá em modo remoto via Zoom e será projectada no Cine-Teatro Garrett.
Na página ao lado pode ficar a saber todos os concertos e convidados do FIMPV, no entanto deixo esta sugestão pela novidade, no dia 10 de Julho, no Diana Bar, o duo de música contemporânea ‘Nada Contra’ com Helena Silva, violino e composição, vão recriar um ambiente de música contemporânea onde os ruídos e ambientes externos daquela sala poderão ser esculpidos por sons espontâneos e improvisados, ou seja, ao contrário de perturbar quem interpreta, inspira uma experiência que nos pode contagiar a todos.
A segunda sugestão acontece, no dia 18 de Julho, num espectáculo que pela primeira vez visita o Norte do País. A Orquestra das Beiras sob a direcção de Jan Wierzba, e as vozes de Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro unem-se para revisitar ‘Amália Rodrigues em Nova Iorque’. O espectáculo evoca o histórico concerto de Amália Rodrigues naquela cidade, vestindo o fado de traje sinfónico.
São doze os espectáculos, sempre às 21h00, que vão percorrer e tentar deixar saudades aos amantes da música que se deslocarem à Igreja Matriz, Igreja Românica de S. Pedro de Rates, Diana-Bar e Cine-Teatro Garrett, mas o Festival vai também dar palco aos jovens músicos no Auditório Municipal e no MAPADI, e não há desculpa, a entrada é livre e oferece intimidade.
No encerramento do Festival, a 25 de Julho, no Cine Teatro Garrett, a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo num cruzamento entre a dança a música e as artes visuais, será bem capaz de nos explicar que a arte é o lado sublime do Ser e a plenitude de uma construção que nos humaniza.
Para a Presidente da Câmara Municipal e responsável pelo Pelouro da Cultura, Andrea Silva, “não é apenas um festival de concertos. É um projecto cultural com dimensão educativa, patrimonial e artística em simultâneo. A Câmara Municipal da Povoa de Varzim tem orgulho em ser parceira deste projecto. Um orgulho que não é apenas institucional. É genuíno. Porque investir na cultura não é um luxo, é uma escolha estratégica sobre o tipo de cidade que queremos ser”.
A excelência mundial dos intérpretes é a marca de um dos mais antigos e prestigiados festivais internacionais de música do País, onde mais que o género se busca a intemporalidade.
Por: José Peixoto