Voz da Póvoa
 
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90º Aniversário da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro

90º Aniversário da Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro

Cultura | 1939 | 15 Janeiro 2020

Rancho Poveiro Actuou Para a Diáspora Poveira em Terras de Vera Cruz

A Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro esteve em festa, com as comemorações do seu 90º aniversário. O ponto alto das celebrações aconteceu este domingo, 12 de Janeiro, com um almoço-convívio, que reuniu dezenas de poveiros e seus familiares radicados na ‘cidade maravilhosa’.

Se à mesa o tradicional churrasco e a sardinha assada na brasa fizeram as delícias dos convivas, a animação esteve a cargo do Rancho Folclórico Eça de Queiroz, do grupo ‘Os Vilacondenses’, e do Rancho Poveiro, que levou expressamente as danças e cantares da Póvoa de Varzim à diáspora poveira do Rio de Janeiro.

O presidente da Câmara Municipal, Aires Pereira, fez questão de marcar presença nestas comemorações e aproveitou a ocasião para estreitar e fortalecer laços com a comunidade poveira que no Rio de Janeiro não esquece a cidade que ainda mora no coração, a ‘terra-querida’, Póvoa de Varzim. Aires Pereira está preocupado com o futuro da Casa dos Poveiros e a sua presença, mais que celebrar o passado e o presente, passa por salvaguardar o futuro e preservar a memória daqueles que há muitas décadas deixaram a sua terra em busca de um futuro melhor.

Fundada a 8 de Janeiro de 1930, a Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro – Sociedade Recreativa e Cultural de Benemerência de Utilidade Pública Municipal tem como patronos o herói Cego do Maio e o escritor Eça de Queiroz, que dá nome ao rancho folclórico, que já com 67 anos de existência (fundado em Outubro de 1952).

A ideia da criação de uma ‘Casa dos Poveiros’ nasceu em 1929, na casa do alfaiate João Figueiras. No início pensou-se criar grupos pró-Póvoa, tal como acontecia em Manaus, interligando os grupos de poveiros espalhados pelos estados do Brasil. Seria uma forma de unir as colónias poveiras e fazer propaganda da sua terra no país onde canta o ‘sabiá’. Dada a sua imensidão e a dificuldade em contactar os poveiros residentes nos mais recônditos lugarejos do país irmão, a ideia abortou. Na altura, era grande o surto de emigração para o Brasil. Gente nova à procura da árvore das patacas, fugindo dum país sem futuro, afogado em tristeza, desemprego e com más condições de vida.

Nessa avalanche de jovens emigrantes poveiros, fervilhava uma sadia rivalidade desportiva entre o Varzim e o Sporting Clube da Póvoa, dois clubes que traziam colados ao coração. Habituados a conviver alegremente com as suas vitórias e derrotas, não podiam desabafar o fervor clubista por falta de lugares de convívio. Esse fervilhar do perde-e-ganha era “despejado” esporadicamente em qualquer esquina ou na mesa de um botequim, em redor de um ‘chope’ geladinho. Mas sabia a pouco, esse afiar de língua.

Havia que encontrar um local para se falar da Póvoa, dos amigos e dos clubes. Faltava uma sede própria para matar saudades. Por outro lado, o repatriamento dos pescadores poveiros chocou a jovem colónia emigrante. Se muitos pescadores regressaram à Póvoa para não se naturalizarem, outros por lá ficaram, “vegetando” pelas praças, com dificuldades económicas. Era necessária e urgente uma instituição que fizesse o cadastro e tratasse das suas necessidades. Esses dois motivos, um local para matar as saudades e uma instituição que zelasse pelos pescadores menos afortunados, foram o gatilho para a criação da Casa dos Poveiros no Rio de Janeiro.

Por essa altura, tinha regressado ao Rio de Janeiro, onde já estivera, João Figueiras (de seu nome João Joaquim Marques), que montou um atelier de alfaiataria na Rua Costa. Era lá que se reuniam alguns conterrâneos para falar dos assuntos da sua terra e da necessidade de se criar uma associação que conseguisse das autoridades brasileiras alguns benefícios para os pescadores poveiros que se fixaram no Rio de Janeiro. Reunião atrás de reunião, a certa altura os visitantes já não cabiam na sala de corte-e-cose de João Figueiras.

O entusiasmo e o bairrismo eram de tal ordem que houve urgência em se criar uma Casa dos Poveiros, custasse o que custasse. As reuniões passaram a ser diárias, João Figueiras desdobrava-se em contactos e os poveiros interessados multiplicavam-se. Finalmente, em 8 de Janeiro de 1930 era criada a “Casa dos Poveiros do Rio de Janeiro”, tendo como patronos o herói Cego do Maio e o escritor Eça de Queiroz.

Os fins vinham explícitos nos estatutos aprovados: Promover a união entre poveiros; Fazer a máxima propaganda da Póvoa, como a mais bela praia do norte de Portugal e por ela trabalhar em todos os sectores; Prestar assistência aos nossos irmãos mais necessitados e concorrer para o progresso do Brasil, dignificando assim Portugal.

De início, a Associação dos Empregados do Comércio do Rio cedeu o seu salão nobre. Seguiram-se as salas na Rua da Misericórdia, Mercado de São José e Constituição.

Finalmente, no Conselho Director de Álvaro Silva foi adquirido o bonito palacete da Rua do Bispo, a actual sede.

Neste 90º aniversário, deixamos os nossos parabéns a todos os presidentes, directores, colaboradores e folcloristas que passaram pela Casa dos Poveiros e a todos os que continuam a manter vivas as tradições poveiras no Rio de Janeiro. E que este braço de mar sempre nos une e nunca nos separe…

 


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