Voz da Póvoa
 
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Viagem em Balão a uma Nesga de Segredada Informação

Viagem em Balão a uma Nesga de Segredada Informação

Opinião | 19 Setembro 2026

 

As notícias em segunda mão confirmam que na primeira ninguém leu, no entanto o habitual e obrigatório comentador das Tevês não deixou em branco a oportunidade de refazer o Título afirmando que o melhor dos analfabetos é aquele que lê de trás prá frente ou vice-versa. Também corrigiu a Boa Tarde da senhora apresentadora por achar que a tarde não foi tão boa assim e a noite ainda não se sabia ao certo. Temos que reconhecer que sem comentário não há nada a dizer.
 
Segundo campanha orquestrada e instrumentalizada com certas piadas, os comunistas voltaram a dar injecções atrás da orelha dos velhinhos. Esta gente da foucinha nunca soube usar verdadeiramente o martelo e os pregos depois da cruz passaram a ser servidos no prato. É por isso que gosto desta ideia política de um cemitério aumentar a capacidade de resposta. Não deixa de ser uma forma de arrepiar caminho antes do cortejo fúnebre. Pena é que os parasitas partem sempre no fim da fila e o mundo é um corta e cose de bélicos e económicos interesses. 

Nada disto seria de arregaçar se o badalado futuro não passasse de um anúncio premeditado de incertezas ou de comichões na virilha. O conhecido Festival Vilar de Mouros confirmou, antes de ir prá Caminha, a presença em 2052 dos “Toca na Frida”, banda mexicana ainda por caiar cartazes, mas ao que tudo pinta não faltam interessados em enfiar o Kahlo à nação valente e imoral. Outra banda que já esgotou as presenças no certame, por ser tão virtual, com um só arroto anuncia a matança da fome. Dito isto, o futuro está nos meandros do passado, nos antípodas das descobertas que ninguém quer ser, motivo extra dos ressacados convictos de que a América Columbófila foi anexada por uma Cuba livre num acto inexorável e amplexo distúrbio extremado numa asa provocado pela inexistente inteligência humana, mesmo que artificial, promovida pela mais replantável criatura, ainda não se tenha exposto na galeria dos antepassados Símios. As dúvidas persistem na quimera dos acontecimentos redondos que tornaram a terra chata para viver, uma espécie de reflexão sociológica à luz da vela. 
 
Conheci um poeta na Universidade Fernando Pessoa, confessado admirador do Desassossego, obra que considerou inspirada nos Lusíadas. Um outro prosador que não conheci mas ouvi falar, quando acossado de ter sacado a pasta do BPN, antes do Banco falir, com lucros só ao alcance das mais sérias e predestinadas cobaias do regime, vociferou: “Para serem mais honestos do que eu têm que nascer duas vezes”. Não sei se foi por causa desta erótica e governada afirmação do Boliqueime arreliado e convicto que o Ventura diz ser preciso três Salazares. 

Há dias que não sei explicar, é uma espécie de cumplicidade gratuita ou um baptismo pomposo sem a importância dos referidos nomes que me atrofiam a tola de defeitos imperceptíveis e mercantis. Tudo oferecido num refugado de cérebros inchados num desvairo que mais parece um sarau remasterizado, onde todos os conflitos não passam de cartilhas miseráveis das mais odiáveis pessoas que nos despejam diariamente os lucros em cima da nossa permanente e encardida miséria.  
 
Às vezes somos contaminados, outras, temos que reconhecer que a possuída mãe natureza dá muitos burros.

Júlio Verme

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