Voz da Póvoa
 
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VERDADEIRAMENTE HUMANOS

VERDADEIRAMENTE HUMANOS

Opinião | 20 Agosto 2026

 

Os meus pais deram-me uma óptima educação, mas por vezes uso a linguagem que aprendi na rua. Sou da verdade e da liberdade. Quando me é negado o mínimo de liberdade, fico como que mutilado, não me sinto bem comigo próprio, na esteira de Henry Miller.

A cada passo, anuncio a minha libertação e emancipação. Sou capaz de partir tudo, de incendiar tudo à minha volta. Contudo, também criamos, somos essencialmente criadores do Novo Mundo que aí vem.

Há pontos em que não estamos com Marx e os marxistas. Entendemos que o espírito está acima de tudo e é divino. E o pensamento vai até ao infinito. As capacidades criativas de algumas e alguns de nós são prodigiosas. Infelizmente, outros nunca passarão de escravos ou de maníacos do poder ou do dinheiro, de tal forma são limitados, ou jamais procuraram a verdadeira sabedoria ou o maravilhoso. A nossa sociedade também é marcada pelas depressões e pela esquizofrenia global, devido aos preconceitos, às castrações, aos medos, aos ódios, à competição feroz, à intriga, à inveja, ao mundo dos macacos que trepam uns para cima dos outros em busca de dinheiro, estatuto ou influência, como diria Nietzsche. Muita gente é incapaz de se soltar, de ser livre, de ser ela mesma. Vigiamo-nos uns aos outros nesta selva tecnológica, policial, militar, anti-natural, consumista, fascista e capitalista.

Para nos tornarmos verdadeiramente Humanos, teremos de soltar o amor, o êxtase, o sexo e a sabedoria, que podemos buscar na comunhão livre, na criação ou nos livros. Eis o caminho do Paraíso.

António Pedro Ribeiro, sociólogo, Poeta e vocalista dos Sereias

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