Voz da Póvoa
 
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Um clube de leitura na Biblioteca Municipal de Porto Santo

Um clube de leitura na Biblioteca Municipal de Porto Santo

Opinião | 14 Agosto 2026

 

Não podíamos faltar. O chamamento estava no escaparate da biblioteca mas a Sónia, responsável principal, lembrou-nos. Levei um livro que leio do recheio da nossa anfitriã, viagem dos nossos ancestrais Homo Sapiens e seu rasto predador desde a saída da mãe África, colonizando a Terra. O livro refere três revoluções marcantes: a do conhecimento, a agrícola e a industrial, todas da maior importância na definição do que somos.

Surpreendido com a dinâmica do grupo: só levei um livro, a intenção era cada participante levar vários e falar deles. Depois duma breve introdução li uma passagem que me trouxe mais luz sobre o nosso percurso destruidor da fauna e da flora. 

Vários intervenientes, só duas nos deram livros de autores portugueses: uma escritora aqui residente, romance histórico, género que pratica; e um livro da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Estrangeiros abundavam e, nos portugueses, José Rodrigues dos Santos, que não pude deixar de pôr no lugar de prolixo escrevinhador; mais Paulo Coelho, o brasileiro que escreve muito e superficialmente. Triste é constatar que os grandes autores portugueses, dos clássicos a mais recentes, estão esquecidos. Já não se lê Aquilino, José Cardoso Pires, os grandes do neo-realismo, Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira, Fernando Namora… Ninguém conhecia Cristóvão de Aguiar, (pai do cronista do Expresso, Aguiar-Conraria), vizinho da Ilha Terceira (ou S. Miguel?) de quem fui amigo em Coimbra, no velho Tropical de tantas conversas, que recordo, com saudade, na Praça da República, com o Carlos Santarém de Andrade, director que foi da Biblioteca Municipal, e o Aníbal Almeida, estudioso de Camões (dele guardo Um retrato de Camões), professor de economia na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, homem de muitos saberes e sarcasmos, irmão de Fernando António Almeida, exilado de variadas artes de sobrevivência, jornalista que foi do Expresso, no qual desvendou um Portugal diferente em livros como Roteiros de Portugal.

Já todos nos deixaram, o tempo começa a escassear…

 

Abílio Travessas

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