
Somos controlados pelos organizadores do tédio e da morte. A verdadeira vida está quase ausente. Trabalhamos para sobreviver, consumindo. Eis o reino do economismo, da escravidão e do quantitativo. A troca e o mercantilismo dão cabo de todas as relações humanas, de todos os sentimentos, de todos os pensamentos. Vivemos ao serviço do sacrifício. Levamos uma vida absurda: entre televisões, computadores, carros e frigoríficos.
No entanto, só faz sentido falar em revolução se nos referirmos à vida quotidiana, ao amor e à recusa de todas as coacções. Não há amor possível num mundo infeliz. Os regimes ditos "democráticos" apenas suavizam a castração. Urge criar. Urge construir o projecto do Homem Total. Toda a revolução futura implica a eliminação de toda a hierarquia, através da poesia espontânea. Há que reconstruir a vida e reedificar o mundo, ou seja, fazer uso da resistência do vivido. Numa palavra, temos de regressar a nós mesmos e usufruir plenamente dos nossos prazeres e saberes. Temos de habitar poeticamente e livremente a Terra. Não mais medo nem prisões!
António Pedro Ribeiro, Sociólogo, poeta, cronista entre outras criações