Voz da Póvoa
 
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Como lhe deram a VOLTA à Cabeça com os seus Dez Cêntimos

Como lhe deram a VOLTA à Cabeça com os seus Dez Cêntimos

Opinião | 14 Setembro 2026

 

Inventaram a poluição gratuita, mas gosto desta ideia de nos mandar às malvas. O Sistema de Depósito e Reembolso VOLTA, que os políticos legislaram e que nos obriga a pagar mais dez cêntimos pelo custo da garrafa de plástico, não pela água que comprávamos em qualquer loja ou supermercado, ao contrário do que dizem, não se trata de educar o néscio para uma maior consciência ecológica, mas de desempregar pessoas que faziam essa triagem, pelo seu trabalho não remunerado. Como alguém escreveu “disfarçado de consciência cívica”. A recompensa é recuperar os dez cêntimos que já eram seus e ajudar o planeta a ser mais limpo e ecologicamente mais sustentável. E se onde compra não tem VOLTA vai ter que perder mais tempo a deslocar-se a um lugar onde VOLTA tem. Tempo pode custar mais dinheiro e combustível.

Entretanto a indústria que opera neste tipo de negócio passou a contar com o seu empenho e gratuita colaboração na guarda e recolha de garrafas de plástico e de latas, que na cadeia de reciclagem são considerados os resíduos mais valiosos.
Uma outra ajuda preciosa veio das pessoas que passaram a remexer contentores do lixo e de resíduos de plástico à procura de garrafas e latas, uma forma de esmolar a mendigagem e outros desempregos sem-abrigo ou aumentarem o seu pecúlio mensal com mais um trabalho precário e mal pago. 

Já não bastavam as caixas automáticos de supermercado onde o trabalho é feito pelo cliente sem qualquer benefício, aumentando a margem de lucro dos grandes grupos de distribuição, que já alargam os zeros até aos milhões de euros. Além disso, parte dos seus funcionários não passam de estagiários remunerados parcialmente pelo Estado/IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional, conforme as regras do programa. Naturalmente a maioria, terminado o estágio, volta para o desemprego.

Mas, há outras voltas que lhe deram à cabeça, no caso, os Bancos que vão dispensando cada ano que passa mais trabalhadores e convencendo o cliente de que é capaz de fazer tudo o que precisa através das Apps (aplicações bancárias que permitem gerir contas, fazer transferências, pagar serviços e controlar despesas directamente a partir do seu telemóvel), tudo sem se deslocar ao banco, precisa apenas pagar a Internet. Além de efectuar um trabalho gratuito, há serviços que continua a pagar. Mas, tem acesso ao extrato bancário para se rever nas despesas sem que o Banco gaste um cêntimo, aliás cobra uma comissão de manutenção de conta. Em média são 60 euros anuais, aos quais acresce a taxa legal de 4% de Imposto do Selo, para juntar aos lucros.

Nos anos 80 do século passado, ainda antes do muro de Berlim ser derrubado, na Alemanha discutia-se a redução do horário de trabalho para as 6 horas diárias, propagandeava-se que iríamos entrar na sociedade da cultura e do lazer, fundamentais para o desenvolvimento humano. Hoje, discutimos os bancos de horas (O Pacote Laboral foi chumbado ou espera melhores dias) onde podem ser depositadas até 50 horas semanais (10 por dia). Trata-se de um regresso ao século XIX.
 
De volta ao VOLTA, é de outro ambiente que se trata, não o do progresso ou da sustentabilidade e muito menos de combate às alterações climáticas. Deixo apenas esta questão – Alguém já apresentou algum estudo sobre os custos ambientais provocados pelas invasões da Rússia à Ucrânia, de Israel à Palestina, em forma de extermínio, e de todos aqueles países à volta, dos Estados Unidos ao Irão, entre outras menos badaladas, mas igualmente capazes de provocar danos irreparáveis ao ambiente, ao planeta?...
Não sei se feitos de barro ou descendentes do macaco, por cá andamos fascinados com a incapacidade humana para lidar com a sua própria inteligência.

Pablo Rios Antão

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