Voz da Póvoa
 
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No Comboio Histórico pelo Alto Douro Vinhateiro

No Comboio Histórico pelo Alto Douro Vinhateiro

Nacional | 16 Agosto 2026

 

Associar o Comboio Histórico do Douro aos 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, numa viagem pela memória entre a Régua e o Pinhão sempre pela margem do Rio Douro, foi a proposta da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) para promover e divulgar o território no seu todo, numa parceria com a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial e a Comunidade Intermunicipal do Douro.

Este abraço entre o rio e a ferrovia abriu a Região ao País, ao mundo e ao desenvolvimento, aproximando as comunidades, facilitando o transporte dos seus vinhos, até aí apenas transportados nos barcos Rabelos, quantas vezes perdidos em trágicos naufrágios.
Para que não ficasse nada ao acaso, convidou representantes institucionais, autarcas, empresários, académicos e agentes do território para antes de tudo mostrar um brilhozinho nos olhos à deslumbrante paisagem. Aquela montanha de xisto vergou-se às suas gentes incapaz de suster o esforço descomunal de braço e corpo que desenhou no tempo e para outro tempo os socalcos de uma paisagem verde tinto ou branco, identitário de uma região com olhos pró mundo, para o futuro, como os teve a ‘Ferreirinha’, homenageada com o seu nome na nova ponte sobre o Douro.

Desafios, ambições e compromissos foram sublinhados durante os discursos realizados na Régua, pelos intervenientes, que reforçaram a necessidade de uma aposta partilhada entre todos, que assegure o futuro da região.

Para o Presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, João Gonçalves, é preciso, “preservar este território sem o imobilizar, valorizá-lo sem o descaracterizar e assegurar que continua vivo, habitado e produtivo. O património não pode ser apenas contemplado, tem de ser vivido. E uma paisagem viva precisa de pessoas, de actividade económica, de serviços públicos, de mobilidade, de investimento e de condições que permitam às novas gerações permanecer no território e construir aqui o seu futuro”. E sublinha: “É esse o compromisso da Comunidade Intermunicipal do Douro e dos 19 municípios que a integram”.
 
Por sua vez, o Comissário das Comemorações dos 25 Anos do Alto Douro Vinhateiro, Mário Ferreira, reconhece o que foi feito, mas destaca a importância da “extensão desta linha do Porto até Barca d’Alva” e enalteceu “a experiência de aqui estar e poder falar com gentes locais”. Lembrou também que no Pinhão o rio é atravessado por uma ponte desenhada pelo Eiffel.
 
O Presidente da CCDR-N, Álvaro Santos, elogiou o trabalho que levou à classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da UNESCO, mas salientou que “celebrar 25 anos de classificação não é para nos recordar o passado, é, sobretudo, inovar o compromisso com o futuro. E o desafio que hoje temos pela frente é garantir que esta paisagem viva continue a ser um território de oportunidades”. E concluiu: “Quero felicitar todos aqueles que ao longo destes 25 anos contribuíram para proteger, para promover e valorizar este património excepcional, autarcas, viticultores, produtores, instituições, associações e todas as pessoas que diariamente mantêm viva a alma do Douro. Que esta celebração seja, acima de tudo, um ponto de partida e não um ponto de chegada, para uma etapa em que o Douro continue a afirmar-se como um território de excelência, de inovação, de sustentabilidade e de orgulho nacional”. 

A encerrar os discursos esteve o Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, que em nome do Governo prestou “homenagem aos homens e às mulheres que fizeram desta paisagem uma obra humana e colectiva, e sobretudo agradecer a todos os que continuam a cuidar dela. O Douro não é apenas uma paisagem para admirar, é uma paisagem que trabalha. A beleza das encostas não pode ser separada da vinha, do vinho, das quintas, das empresas, do turismo, do conhecimento e das comunidades que aqui vivem. O património existe porque houve trabalho e continuará vivo apenas se houver actividade económica capaz de sustentar as pessoas e cuidar do território. Esta viagem no comboio histórico recorda precisamente essa ligação. O rio e a ferrovia abriram o Douro ao país e ao mundo”.

Para Silvério Regalado Álvaro, “mais importante do que preservar alguns valores de algumas instituições é preciso que se preserve o valor máximo que interessa ao território, que é preservar o país e sermos proactivos naquilo que é o desenvolvimento que o país precisa. Preservar o Douro não quer dizer imobilizá-lo. Tem de se permitir que se desenvolva com regras claras, exigência e respeito pela sua identidade”. E a finalizar lembra que, “o Livro Verde do Douro 2050 é uma oportunidade para construir uma visão partilhada. Não é um documento fechado em gabinetes, mas um trabalho colectivo com os municípios, as universidades, as empresas, as associações, os produtores e sobretudo as comunidades locais. É preciso ouvir jovens e criar condições para que estes possam escolher, ficar, regressar ou construir aqui o seu projecto de vida”.

Por: José Peixoto

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