Voz da Póvoa
 
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Respostas Possíveis para a Bacia Hidrográfica do Rio Alto

Respostas Possíveis para a Bacia Hidrográfica do Rio Alto

Freguesias | 16 Setembro 2026

 

O Salão Nobre da Junta de Freguesia da Estela acolheu, no dia 10 de Setembro, o workshop “Soluções Climaticamente Resilientes para o Rio Alto”, promovido no âmbito do projecto europeu RISE-IN – Resilient Investment for Sustainable Environments. A organização do evento juntou o Centro do Clima, a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim e a BIOPOLIS/CIBIO. Diferentes entidades e actores do território participaram numa tarde de trabalho conjunto sobre os desafios das alterações climáticas e as possíveis respostas para a bacia hidrográfica do Rio Alto.

A abertura da sessão contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Andrea Silva, que se referiu ao projecto como “um esforço comum de 26 parceiros, de 13 países, de juntar ciência, autarquias, capital financeiro à volta do mesmo objectivo, de tornar as soluções de resiliência climática não só tecnicamente sólidas, mas também atractivas para o investimento”. 

A Póvoa de Varzim foi escolhida como cidade de demonstração ao lado de Cesena (Itália) e Christchurch (Nova Zelândia), conforme sublinhou Andrea Silva, que vê nesta escolha “o valor que a Póvoa de Varzim, mais concretamente a Estela, representa para a adaptação climática à escala europeia”. Trata-se de “uma terra de cultivo, com uma memória de gerações de estelenses e de poveiros que, naturalmente, aprenderam a viver com a água. Umas vezes generosa, outras vezes ameaçadora, mas que, de facto, aprenderam a conviver com ela. Mas, nos últimos anos, a verdade é que esta relação entre a água e os terrenos de cultivo tornou-se mais tensa, fruto das alterações climáticas e da necessidade de nos adaptarmos e criarmos territórios mais resilientes”, alertando que “as práticas agrícolas tradicionais desta zona enfrentam pressões que os nossos avós não conheciam”. A Edil reconhece por isso a importância de “não só estar num discurso genérico sobre as alterações climáticas, mas, de facto, integrar este projeto, o RISE-IN”.

Por fim, Andrea Silva recordou que “este projecto não se limita só à engenharia da paisagem. Interessa proteger as práticas agrícolas tradicionais que aqui existem, promover um turismo mais sustentável e criar uma verdadeira comunidade de vigilância do rio, com um guardião dedicado a acompanhar de perto a saúde deste ecossistema”. Referindo-se à Bacia do Rio Alto.

A sessão foi coordenada pela investigadora da BIOPOLIS/CIBIO, Cláudia Fernandes, que ajustou o enquadramento técnico e territorial com um momento de trabalho participativo. Os participantes foram divididos em grupos para uma análise SWOT, ferramenta de planeamento estratégico usada para avaliar os factores internos e externos que influenciam o sucesso de um projecto. Através da análise dos princípios de reter, distribuir e infiltrar/evaporar nas bacias de retenção, foram abordados o cenário climático, os impactos das alterações climáticas, as características da bacia hidrográfica do Rio Alto e o conceito de Soluções Climaticamente Resilientes.

A Póvoa de Varzim é uma das áreas de demonstração do projeto RISE-IN, financiado pela União Europeia, onde serão desenvolvidas e testadas abordagens destinadas a minimizar o risco de cheia e de inundação. O objectivo é aproximar conhecimento científico, experiência local e capacidade de intervenção, procurando construir soluções ajustadas às características e necessidades do território.

Fotos: JCM - CM

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