
Adubar a terra com um fertilizante natural manteve durante séculos uma agricultura saudável e de qualidade. A apanha do sargaço nas praias do concelho da Póvoa de Varzim foi uma actividade tradicional que reunia centenas de sargaceiros e sargaceiras que de graveta na mão arrancavam as algas no mar ou apanhavam-nas com o ganha-pão carregando ao ombro até ao areal onde era estendido a secar.
“Pelo fim da tarde o mar tornou-se fervilheiro, como da maré viva. O sargaço começou a sair, abundante, à beirada. As mulheres acorreram logo, em rebanho, casacos de oleado, marcados a letras vermelhas, como gado. Mas sozinhas não lhe dariam vazão. Havia trabalho para toda a aldeia, que veio em peso. Para cima de trezentas pessoas se entregaram àquela faina de lusco-fusco.” Escreveu Luísa Dacosta no seu moinho em Aver-o-Mar.
No último dia de Agosto, 34 jovens voluntários entre os 14 e os 17 anos, em representação dos 17 concelhos da Área Metropolitana do Porto (AMP), dois jovens por cada município tiveram oportunidade de aprender, praticando, sobre a apanha do sargaço desprendido pela maré alta na freguesia de Aguçadoura. Dar a conhecer a importância que este fertilizante natural teve ao longo dos tempos na actividade agrícola concelhia e no ambiente foi outra das vertentes da iniciativa.
A Vereadora com o Pelouro da Coesão Social e Voluntariado da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Carina Moreira, acompanhada pela técnica da AMP do Porto, Isabel Veiga, e pelo Presidente da Junta de Freguesia de Aguçadoura, Ricardo Campos, testemunhou a aprendizagem e o fascínio dos jovens por uma actividade que foi desaparecendo, não só pela rudeza do trabalho como pela indústria de fertilizantes químicos adaptados a todo o tipo de plantas de forma a acelerar o ritmo de produção.
A Academia Metropolitana de Voluntariado promoveu durante uma semana (de segunda a sexta), em formato residencial intensivo, actividades práticas e de formação em vários municípios da AMP, no âmbito da protecção ambiental e florestal, protecção animal, preservação do património arqueológico e acção social na comunidade.
Fotos: JCM - Cm