Voz da Póvoa
 
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Fotografar o Olhar Daquela Janela Virada Pró Mar

Fotografar o Olhar Daquela Janela Virada Pró Mar

Cultura | 17 Setembro 2026

 

Tristão da Silva encantava quando da sua voz se ouvia “Cem anos que eu viva não posso esquecer-me / Daquele navio que eu vi naufragar / Na boca da Barra tentando perder-me / E aquela janela virada pró mar”.

As canções são por vezes uma inspiração que nos passa entre um olhar que se perde e um olhar que se agarra, um instante que se eterniza numa fotografia. Por isso, “Mar e Gente: A Minha Ex-Janela Virada ao Mar da Cidade onde Nasci” é a exposição fotográfica de Miguel Louro que pode visitar até 26 de Setembro, na galeria da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto.

O autor da mostra fotográfica cresceu a olhar o mar, uma presença constante que se perdia no mais longo dos horizontes, elemento que moldou desde cedo o seu espírito aventureiro e a vontade de descobrir o mundo. Por volta dos 20 anos, ao receber a sua primeira máquina fotográfica, encontrou a síntese perfeita entre o gosto pelo mar, a curiosidade pelas viagens e a expressão visual – união que o levou a fotografar em diversos países ao longo das décadas. Formou-se em fotografia na Escola Calouste Gulbenkian, onde teve como mestre o Professor Nuno Barreto. Fotógrafo amador desde 1975 é autor de várias exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro, além de co-autor de diversas publicações literárias dedicadas à fotografia.

Mar e Gente em imagens descritas pelo autor: “A minha ex-janela virada para o mar na minha Terra Natal, houve um tempo em que as férias de verão deixaram de ser passadas na praia da Apúlia para regressarem à minha cidade natal, a Póvoa de Varzim. Foi aí que reencontrei um lugar de memórias, de identidade e de permanente inspiração. Ao longo de mais de cinquenta anos dedicados à fotografia, o meu principal hobby cultural, a minha Leica foi companheira inseparável. Da janela do terraço da casa voltada para o mar, fui registando, pacientemente, a passagem do tempo: as mudanças da luz, o movimento das ondas, o trabalho dos pescadores, a presença das pessoas e a vida que diariamente se desenrolava diante dos meus olhos. Dessa antiga janela nasceu um vasto acervo fotográfico, testemunho de um olhar contínuo sobre o mar e sobre as gentes da Póvoa de Varzim. É uma narrativa visual construída ao longo de décadas, onde cada imagem preserva um instante irrepetível. Hoje, esse conjunto de fotografias regressa ao lugar onde tudo começou, integrando esta exposição na Galeria da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, sob o título "A Vida do Mar e das Gentes". As obras, apresentadas em Fine Art Print a cores, convidam o visitante a fazer precisamente o que inspira o tema desta exposição, “Sente-se": sentar-se, contemplar, sentir e redescobrir, através da fotografia, a relação íntima entre o mar, a cidade e a memória. Porque, por vezes, basta sentarmo-nos num banco e deixar que as imagens nos devolvam o horizonte de uma janela que continua virada ao mar”.

O poema de Frederico de Brito tem outras viagens, outras ondas de espanto e nostalgia: “Marinheiro do mar alto / Olha as vagas uma a uma / Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma / Por mais que elas bailem numa louca orgia / Não trazem desejos de me torturar / Como aquela doida que eu deixei um dia / Naquela janela virada pró mar.

Fotos da exposição: Rui Sousa

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