Reportagem

Teatro Para Encenar o Mundo

Haverá uma necessidade de representar? Representar é apenas a vontade de exprimir a nossa leitura do mundo? Somos todos actores capazes de vivenciar qualquer representação?

O nosso egoísmo e egocentrismo, ou no oposto, partilhando tudo, faz parte do papel onde a nossa biografia se vai expondo, narrando o vivido, a memória. Somos maus actores, já o provamos, por isso precisamos rever nos outros, nós próprios. Gostamos mais, emocionamo-nos mais, até vivemos mais, quando nos observamos, quando adivinhamos o passo seguinte, ou não.

Construímos o palco, o cenário, porque nos inquietamos primeiro. Não fomos capazes de sobreviver à perfeição ou a Deus, porque descobrimos o homem, a mulher, que há em nós. A vida. O teatro nunca representou outra coisa.

Quando assistimos ao despedir de um sonho, feito É-Aqui-In-Ócio – Festival Internacional de Teatro da Póvoa de Varzim, estamos a aplaudir a oitava edição que o Varazim Teatro, em parceria com a Câmara Municipal, nos proporcionou.

A cortina abriu no dia do equinócio, com o espectáculo Osso, pela companhia Teatro do Calafrio, e despediu-se com ATM – Atelier de Tempos Mortos, uma criação da Companhia do Chapitô. Pelo meio, o público acomodou-se no Garrett para aplaudir companhias como: Ovo Alado (Porto), Seiva Trupe (Porto), Jangada Teatro (Lousada), Peripécia Teatro (Vila Real), Teatro do Calafrio (Guarda), Companhia d’Orfeu (Águeda), Cães do Mar (Açores). Da Corunha, Galiza, veio Elefante Elegante, e de Moçambique, Klemente Tsamba. Pelas ruas da cidade os alunos das Oficinas de Teatro do Varazim foram “Varaminhando” numa performance itinerante.

Para o presidente do Varazim Teatro, associação responsável pela organização do certame, Eduardo Faria, as expectativas foram alcançadas: “Queremos sempre mais, mas chegamos ao fim com a satisfação do dever comprido. Na verdade, só tivemos a certeza da realização do festival a 17 dias do primeiro espectáculo. Tudo foi feito nesse hiato de tempo, os cartazes e a confirmação das companhias, que naturalmente já tinham sido contactadas. Mas, pelo meio, deixamos de contar com algumas que não podiam trocar o certo pelo duvidoso. Levar a efeito um festival, desta natureza e dimensão, em tão curto espaço de tempo, é desde logo uma satisfação. Depois, sentir que o público teve a possibilidade de atestar a qualidade e excelência dos espectáculos enche-nos de orgulho ao ponto de querermos cimentar o É-Aqui-In-Ócio, como um festival de referência”.

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