Reportagem

A Luz Deu ao Vitral Uma Arte Milenar

Temos que recuar à Idade Média, ao século X, para ver os primeiros vitrais a nascer nas janelas das catedrais francesas e alemãs. No entanto, não passavam de alguns buracos de luz nas paredes com cristais coloridos. Mas com o evoluir da construção, nas paredes abriram-se janelas e o vidro deu à luz coloridos painéis bíblicos, que revelavam a sagrada história dos homens e da sua fé.

O vitral é uma arte milenar que chegou aos nossos dias e tem nas mãos de José Maria a sua continuidade: “Foi a curiosidade que me levou à descoberta do vitral. Não fiz qualquer formação, sou um autodidacta, mas li muito sobre vitrais e depois com trabalho e dedicação profissionalizei-me na arte”.

José Maria Neves Figueiredo nasceu em 1957 em Vila do Conde. Fez o quinto ano antigo, período em que aperfeiçoou o desenho. Fez a primeira exposição em 1976. Pelo caminho das artes experimentou os óleos e o acrílico, a escultura e a pintura de azulejos, mas é na Monotipia que passa a investir: “É uma técnica que gasta muito papel. Até conseguir, através da pressão exercida no papel, os retratos ou as imagens que queria, gastei muita tinta, papel e vidro. As tintas quando se misturam fazem surgir efeitos imprevisíveis”.

A arte não dava de comer, mas como também não queria passar a vida a fazer próteses dentárias tirou um curso de modelista: “Visitei muitas exposições de vitrais. Como gostava muito da luz, da transparência dos vitrais, comecei a ficar fascinado e a interessar-me pela sua criação. Desde 1990 que só produzo vitral. Tenho vitrais na Capela de S. Amaro, em Vila do Conde, S. Donato, em Azurara, e na Igreja do Desterro, na Póvoa de Varzim. Nesta última foram feitos12 painéis para quatro janelas. Os desenhos são da autoria do Nando Gonçalves. Mas faço também muitos trabalhos para casas particulares, onde o abstracto tem vindo a ganhar protagonismo ao figurativo”.

José Maria acrescenta que não gosta muito de fazer restauro: “É um trabalho muito minucioso. As pessoas não percebem que passamos muitos dias a fazer uma pequena coisa e acham sempre caro. Depois é preciso perceber que há muito desperdício de vidro, mas tem que se pagar a placa por inteiro. Embora se trabalhe com pintura no vitral, normalmente trabalha-se primeiro o desenho e depois recorta-se no vidro de cor. Faço muitos vitrais sozinho, mas gosto de trabalhar com o Nando Gonçalves. Ele tem uma mão para o retrato como ninguém e eu reproduzo”.

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