Opinião

BENDITAS FÉRIAS
Tudo Está na Maior Menos a Venezuela
ARTUR QUEIROZ

As férias de Agosto resolveram os mais graves problemas dos portugueses. Desde o início de Agosto, o SIRESP nunca mais falhou, a Autoridade Nacional da Protecção Civil está a responder bem aos incêndios, já ninguém passa culpas porque não há culpados de nada, salvo José Sócrates que está por trás dos problemas de Cristiano Ronaldo com o Fisco espanhol, Levou o grupo BES à falência, elegeu Donald Trump, ajudou os cientistas da Coreia do Norte a fazer uma bomba atómica, causou dezenas de lesados do BANIF, obriga o comandante da Liga dos Bombeiros a ficar no cargo, entre muitas outras malfeitorias.

Um amigo jornalista mandou-me uma carta da qual transcrevo este naco: “Artur, tens razão. O terrorismo mediático arrasa o jornalismo. As televisões meteram-me em casa, horas seguidas, as chamas nas aldeias de Mação. Eu vi autênticos matagais à beira das casas e nas bermas das estradas. Mas ninguém alertou os telespectadores para isso. Resolvi ir a Mação. Vi lá o fim do mundo! A ligação da auto-estrada à vila sede do município é um paiol de pólvora. Ervas secas do meu tamanho, silvas, matagais, pinheiros e eucaliptos em cima das faixas de rodagem.  A Avenida Francisco Sá Carneiro tem terrenos infestados de silvas e mato. Esses barris de pólvora estão ao lado da escola secundária da vila. A Estrada de Mação a Ortiga e à barragem de Belver, no rio Tejo, está ladeada de mato seco, pinheiros e eucaliptos. Nem é preciso um incendiário para pôr aquilo tudo a arder. Basta um fumador distraído atirar uma beata para o chão. O Governo tem de declarar o presidente da Câmara de Mação uma trágica calamidade pública.”

O autor do texto transcrito trabalhou décadas nos jornais. Foi mandado para casa para dar lugar aos escriturários. Ficou tão impressionado que resolveu ir ver o que se passou em Mação. Abandono, desmazelo, matagais nas bermas das estradas e junto de casas abandonadas ou habitadas por idosos. Quem limpa as suas propriedades tem duplo prejuízo. Porque os vizinhos não limpam e o fogo leva tudo à frente. Quem limpa ou paga para limpar, não adianta nada. Uma informação preciosa: os proprietários pagam 50 euros para limpar um terreno com quatro ou cinco mil metros quadrados. É muito dinheiro para idosos empobrecidos e cansados.

O presidente da Câmara de Mação sabe que este é o retrato do seu município. Mas atacou aqueles que foram combater as chamas. Para sacar mais uns quantos votos. A televisão Prá Frente Portugal (RTP) chamou-o para uma sessão de propaganda. E ele repetiu o raciocínio viciado que já tinha despachado nos outros canais: se os meios de combate às chamas eram suficientes, então os que comandaram as operações eram incompetentes. Ou então eram competentes e os meios, insuficientes. É incapaz de chegar a outras conclusões. Uma delas é simples, mas não lhe dá votos. Se os meios não fossem suficientes e não existisse competência, tinha ardido muito mais.

Com os incêndios, até um “jornal” chamado “Observador”, uma espécie de boletim humorístico da Coligação Prá Frente Portugal, à boleia de Marcelo Rebelo de Sousa fez propaganda em Góis. É uma falta de pudor chocante!

Vamos à Venezuela. As forças da Oposição, em maioria no Parlamento, nomearam “juízes” para um Supremo Tribunal que os ajudasse a derrubar o Presidente Maduro. Um atropelo grave à democracia à Constituição. Mas ninguém condenou esta golpada. Muito menos o melífluo ministro português dos Negócios Estrangeiros. Para Santos Silva, a Oposição venezuelana tem legitimidade democrática para criar o seu próprio Poder Judicial.  O mesmo pensam os líderes dos países fundadores do Mercosul, onde está o Presidente Temer, do Brasil, que dispensa apresentações e tem inegáveis credenciais democráticas.

A Assembleia Constituinte venezuelana, pelos vistos, é um atropelo à democracia. O Supremo Tribunal da Oposição era bom e democrático. Os 500 venezuelanos eleitos para redigirem um novo texto constitucional são maus. Olhamos para o panorama mundial e verificamos que os países que têm grandes reservas petrolíferas estão sob o fogo dos que querem petróleo grátis. Iraque e Líbia estão no papo! Nigéria, está quase. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita são sócios e não fazem ondas. Qatar está em vias de ser libializado ou iraquizado. O Irão está no eixo do mal. A Federação Russa é alvo de sanções sobre sanções.

A Venezuela está no bom caminho. Qualquer dia os EUA e as grandes potências da União Europeia mais Londres levam o petróleo de borla e Maduro cai de madureza. Catarina Martins e a rapaziada do Bloco de Esquerda, nesse momento, viram-se para Angola e ajudam os donos do mundo a roubar o petróleo angolano. O dinheiro é como o inevitável: tem muita força!