Opinião

VENDEDORES DE CAIXÕES
Agência dos Medicamentos e o Fogo Ladrão
ARTUR QUEIROZ

A Agência Europeia do Medicamento tem que sair de Londres porque o Reino Unido despediu a União Europeia, com justa causa. Há 20 cidades da Europa que querem receber a instituição e Portugal apresentou uma candidatura de Lisboa, que foi aprovada por unanimidade na Assembleia da República. Agora que a papelada tem de ser organizada e enviada para quem decide, altas figuras do PSD envergaram as casacas do provincianismo bacoco e dizem que o Porto deve ser a cidade candidata. Logo vieram outros apontar Braga e um grupo de deputados quer Coimbra.

Quando oiço falar Marco António Costa ou Rui Rio sinto-me logo o prémio Nobel da inteligência. Vai daí também vou entrar no leilão. Por mim, a Agência Europeia do Medicamento deve ir para o espaço onde foi selada a lixeira de Laúndos. Já mandei para lá um arquitecto que era o génio da política à moda da Póvoa e agora aposto naquele lugar idílico, para morada dos milhares de funcionários daquela instituição da União Europeia. Penso que não estou só neste leilão. Macedo Vieira, quando era presidente da Câmara, mandou selar a lixeira a céu aberto porque já estava à espera do “Brexit” e sabia que aquele espaço era fundamental no futuro.

Face ao ululante leilão, António Costa repensou, reavaliou, inflectiu e agora aposta no Porto. O deputado europeu do PS, Manuel dos Santos, veio logo dizer que a candidata do seu partido à presidência da Câmara de Matosinhos não é cigana, nem por dentro nem por fora. Talvez seja preta. Sei lá, judia. Se a Agência Europeia do Medicamento vier para o Porto, a senhora até passa a ser aparentada com a rainha de Inglaterra. Não se esqueçam de reservar nas futuras instalações gabinetes para Rui Rio, Marco António Costa e Manuel dos Santos. Mas se for para Laúndos, pensem em mim. Quanto mais não seja porque sou menos feio, menos porco e muito menos mau que eles.

Mais uma semana em que as ilhas do Qatar estão isoladas política e diplomaticamente porque aquele país do Golfo Pérsico foi considerado pela Arábia Saudita e seus satélites, pátria dos terroristas. Mas a Turquia, país da NATO, defende os governantes de Doha. O presidente Trump,      que antes vendeu mais de 100 mil milhões de euros em material bélico ao rei de Riad, agora vendeu 12 mil milhões em aviões de guerra ao Qatar. Se é verdade que aquele país insular é a pátria do terrorismo, também acolhe o alto comando dos EUA na região. Fica tudo em casa. A ONU e a União Europeia não falam em sanções ao vendedor das armas nem a países suspeitos de apoiarem terroristas que atacam pessoas indefesas. Assim se combate o terrorismo.

A Região Centro tem alguns paraísos verdes, como Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis ou Pedrógão Grande. Um dia anormalmente quente acompanhado de uma trovoada seca causaram dezenas de mortos e feridos. Os nossos avós diziam que o fogo, é um grande ladrão! Ainda não tínhamos tido tempo para chorar as vítimas e logo apareceram nas televisões uns chicos-espertos a dar palpites de como se podem evitar tragédias como esta. Outros criticaram os bombeiros e as autoridades. Do que esta gente é capaz para ter um minuto de fama!

A SIC, como quase sempre, toma o freio nos dentes e nestas coisas bate tudo e todos. Até um senhor que parece fugido de um campo de matraquilhos, chamado José Gomes Ferreira e a alcunha de jornalista, logo nas primeiras horas da tragédia veio dar os seus palpites porque, segundo uma apresentadora, conhece bem a zona da tragédia.

Este pequeno José Gomes Ferreira (há um que é poeta e gigantesco em talento e dignidade) é especialista no governo de Passos Coelho e Paulo Portas. Mas pelos vistos também sabe de florestas, bombeiros, redes viárias, protecção civil e ideias gerais. Ainda não se tinha extinguido o eco das patacoadas do especialista no governo da Troika e já a estação de Pinto Balsemão lançou uma campanha em forma de abraço português que consiste em telefonar para uns números. Cada chamada dá 50 cêntimos às vítimas dos incêndios.

Estas coisas deixam-me sempre desconfiado. Fico com sérias dúvidas se o dinheiro vai mesmo para quem precisa. A SIC não ganha nada? E as operadoras de telecomunicações também não? Para que não haja dúvidas, o melhor é acabarem com estas coisas. Até porque o Governo foi rapidíssimo em colocar centenas de funcionários da Segurança Social nos municípios afectados pela catástrofe. Deixem as autoridades nacionais e locais responder às necessidades e deixem-se de operações que tresandam a negociatas à custa da dor e da morte. O canal de Balsemão mais parece uma agência que vende caixões.