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Arquivo: Edição de 09-01-2008

SECÇÃO: Opinião

Artur Queiroz

A Capitulação de França

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Os líderes europeus justificam a sua intransigência em certas situações limite com a impossibilidade de fazer cedências ao terrorismo. Há reféns civis em perigo nas mãos de extremistas? Paciência. Os Governos não podem ceder ao terrorismo. A Al Qaeda actua com inusitada violência no Afeganistão, no Iraque, na Palestina, no Líbano, nos EUA e na Europa. Algumas vozes tímidas dizem que é preciso negociar com a organização para limitar perdas humanas e regressar à paz. Mas os líderes europeus dizem que não. Negociar com terroristas, nunca! E jamais os regimes democráticos podem capitular perante o terrorismo.

Constatamos esta intransigência no país Basco por parte do Estado espanhol. Sarkozy agiu da mesma forma quando estoiraram motins nos subúrbios de Paris. A União Europeia vai a reboque dos EUA quando se trata de marginalizar o Hamas. E não consta que os líderes europeus dêem grande importância à resistência do Iraque, sob a alegação de que protagoniza actos terroristas.

Mas a humanidade está a receber uma imensa lição de dignidade e de grande amor à liberdade por parte dos patriotas iraquianos que se batem contra os invasores do Iraque.

É neste quadro que o presidente Sarkozy e o governo de Paris deram ordens para cancelar o rali Lisboa-Dakar. Segundo os governantes franceses, a Al Qaeda ameaçou atacar durante a prova automobilística, na Mauritânia. Uns dias antes, quatro cidadãos franceses foram mortos por desconhecidos, quando gozavam férias no país do deserto. Paris imediatamente desaconselhou os franceses a viajarem para a Mauritânia. Até aqui ainda o rali não estava em perigo.

De repente, de França chegaram informações diferentes. A Al Qaeda afinal ameaçava atacar de uma forma cega, em qualquer etapa, em qualquer país do percurso. E umas horas antes da partida, a Total cortou os combustíveis ao Lisboa-Dakar e o governo francês mandou desligar os motores.

Um membro do governo da Mauritânia imediatamente informou que a segurança estava garantida no seu país e disse que os franceses estavam a servir-se da Mauritânia para fins inconfessáveis. O governante mauritano, diplomaticamente, veio dizer-nos que Paris recuou umas décadas e se está a portar num quadro de neo-colonialismo puro e duro.

O que ele não disse e ninguém disse é que afinal os líderes europeus, quando lhes convém, capitulam perante o terrorismo. Sarkozy garantiu a Bin Laden a primeira grande vitória do ano. Ele lá sabe porquê.

Comentários dos nossos leitores
RENATO GOMES PEREIRArpereir@netc.pt
Gostei: Sem Opiniao ... Concordo: Sem Opiniao ...
Comentário:
A capitulação ocidental perante o terror não é de agora...DE resto foi o "Terrorismo" da UPA em 1961 ( promovido pela casa kenedy e Roosevelt dos EEUU )em Angola que legitimou Salazar na Guerra do Ultramar...E foi preciso que os americanos tivessem o "terror dentro das suas casa" (11 de Setembro) para perceberem que não podiam mais negociar...com que não tem valores ou limites...na carnificina!!!
 
linodlinodasilva@orange.fr
Gostei: Sem Opiniao ... Concordo: Plenamente
Comentário:
sempre ouvi nos meus tempos de pequeno(1952) que america era o maior perigo para o mundo e teve ocasiao de visitar este estado por varias vezes e o meu sentimento em nada mudou tinhamos medo la russia que finalmente nada fez mas os usa continuam a dominar e fazer guerras ao mundo
 

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