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Uma Vida a Costurar o Coração Pelo Varzim

Maria-Emerenciana

Maria Emerenciana Martins Lopes Ramos nasceu em 1959, em Amorim, Póvoa de Varzim. Concluiu a antiga 6ª classe na Escola de Amorim. Casou com João Ramos e tem dois filhos e uma filha. Embora tenha trabalhado em várias fábricas de confecções, ainda experimentou o negócio mas depressa percebeu que o jeito ficou com a sua mãe. Hoje, divide a vida entre dois amores, a família e o Varzim.

“Na primária, as raparigas eram separadas dos rapazes, mas na 5ª e 6ª classes as turmas eram mistas. Fiz os seis anos de escola sempre com a professora Maria Alice Finisterra. Eu era boa aluna, decorava tudo e só por preguiça não fazia os deveres. Dizia sempre que tinha esquecido o caderno em casa, mas como repetia a mesma gracinha a professora, um dia, disse para ir buscá-lo. Claro que cheguei à escola e levei umas reguadas nas mãos. Mas era muito boa professora. Antes dos exames, íamos para casa dela aprender as lições, às vezes aos domingos. Não queria ver nenhum dos seus alunos reprovar. A escola era também, em muitos casos, o único lugar onde as crianças podiam brincar, porque em casa só havia porrada e trabalho. Eu ainda tive direito a uma boneca que o meu pai trouxe de França”.

Como era boa aluna, Maria Emerenciana foi aconselhada pela professora a seguir os estudos: “A minha mãe disse que sim, mas era preciso escrever ao meu pai que estava em França. Quando a carta chegou com a resposta já eu estava a trabalhar na Ribes Portuguesa, em Beiriz. Como já recebia algum dinheiro, a vontade de estudar foi nenhuma. Era uma fábrica de quispos e anoraques. O meu trabalho foi sempre na máquina de costura. Ensinada pela chefe, fui aprendendo a coser uma e outra malha. Entrei rapidamente na linha de produção”.

Era um tempo em que não havia dificuldades de emprego, recordou: “Quando soube que uma amiga, que trabalhava na Maconde, ganhava mais que eu, mudei-me para lá, para fazer fatos. Tinha 14 anos e trabalhei lá outros tantos. Mais tarde, com 28 anos, vim para o Mercado Municipal vender vestuário com a minha mãe, onde aguentei cerca de quatro anos. Ela bem tentou passar-me o negócio, mas eu não tinha jeito para as vendas e a minha mãe acabou por passar a outra pessoa. Daí, fui com a minha filha trabalhar para uma fabriqueta na Giesteira. Quatro anos depois regressei à Ribes Portuguesa, desta vez com a minha filha. Foi a última fábrica onde trabalhei, porque virei ama dos netos”.

Numa vida de trabalho há sempre um tempo para o divertimento, por isso Maria Emerenciana diz gostar muito das festas populares: “Na minha terra sempre gostei de colaborar e divertir-me nos três dias das festas do Santo António. Como o meu marido morava no Bairro dos Pescadores, onde havia a tradição das fogueiras e da sardinhada no S. Pedro, comecei a integrar-me na festa e hoje sou uma aficionada”.

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