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Bina da Louça Foi Figurante no Ala-Arriba

Ludovina Pinto

Ludovina Pinto

Ludovina da Graça Pinto (a Bina da Louça) nasceu em 1929, na Rua da Fortaleza, Póvoa de Varzim. É casada com Humberto Teixeira. Andou a aprender costura, mas aos 16 anos foi trabalhar para a indústria conserveira. Em 1965, assumiu um negócio de louça, numa loja na Rua 31 de Janeiro, que ainda hoje mantém.

“Perdi o meu pai com três anos e muito cedo comecei a ajudar a minha mãe, que vendia peixe na Praça Velha e na praia do peixe. Antigamente os barcos à vela (lanchas e catraias) chegavam à praia e descarregavam o pescado. As mulheres leiloavam o peixe numa roda e a minha mãe comprava para vender”.

Mas nem sempre havia peixe: “Quando o mar virava tempestade, de meter medo, dias seguidos, os barcos não saíam e a minha mãe não ganhava o pão para pôr na mesa. Saí da escola Camões com a terceira classe, para aprender costura numa mestra, mas não trazia dinheiro para casa. A minha mãe queria que eu fosse costureira, mas nunca teve dinheiro para me dar uma máquina de costura. Quando tomei idade fui fazer a safra da sardinha na fábrica de conserva Avis, perto do Morais das carroçarias”.

A indústria conserveira pagava à hora, recorda Ludovina Pinto: “No tempo da safra da sardinha empregava muita gente. Cheguei a entrar às oito da manhã e a sair à meia-noite, com uma hora para almoçar e outra para jantar. Aos sábados trabalhávamos até às duas da manhã. Eu cortava os rabos às sardinhas e metia o peixe nas latas. No defeso, as mulheres vinham para casa. Alguns anos depois, arranjei trabalho na oficina da fábrica a fazer latas e efectivei. Quando havia sardinha fazia os dois trabalhos”.

Foi um acaso da vida que transformou Ludovina na Bina da Louça: “O negócio era da minha irmã, que faleceu com a doença dos pezinhos (paramiloidose) e deixou-me dois sobrinhos para criar. Fiquei com a loja da louça e fiz-me à vida a fazer feiras na Senhora das Dores, Vila do Conde e Santo Tirso. No Verão vendia no mercado velho. Depois, quando construíram o novo (David Alves), comprei uma banca e só a deixei há três anos. Tenho a loja mais para entreter que ganhar para comer”.

O tempo não volta para trás, mas a memória sim. Ludovina Pinto gosta de recordar que fez parte da primeira formação do Rancho Tricanas da Lapa, fundado em 1952: “Os fundadores foram a Mariete, o Moura e o Florentino, que tocava violino. Os primeiros ensaios foram na casa da tia Olinda do Tonto, na Rua dos Ferreiros. Como me dava bem com ela fui assistir. Uma rapariga faltou e pediram-me para dançar. Depois entrou o Bernardino e a mulher Isolina, irmã da Mariete. Por desavenças familiares a Mariete, que era solista, e o Moura saíram e formaram o Rancho do Norte. Durante um tempo fiquei eu como solista, mas quando passei a trabalhar a tempo inteiro na fábrica tive que deixar o rancho. Também cheguei a cantar no coro da Igreja de S. José e da Lapa”.

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