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MEIO SÉCULO A MARCENEIRAR
Arrumador no Cinema Garrett e Mestre Marceneiro
José Peixoto

José Guimarães

José Guimarães

José Correia Guimarães nasceu em 1929, em Vila Nova de Famalicão, mas vive na Póvoa de Varzim desde os quatro anos de idade. Frequentou a Escola Conde Ferreira (actual Posto da GNR) e concluiu a quarta classe. Casou em 1953 com Cristina de Castro. Experimentou a profissão de tanoeiro mas, aos 12 anos, foi aprender a arte de marceneiro para a oficina do mestre Ramos, na Rua 31 de Janeiro. Depois conheceu outras oficinas e patrões, como Augusto Terroso, João Rocha ou o Dinis Carneiro. Dedicou mais de meio século ao fabrico, acabamento e restauro de móveis antigos.

Toda a memória de José Guimarães é poveira: “No meu tempo de menino a praia enchia-se de barcos ou de mulheres que estavam à espera do peixe. Não havia motores e os barcos ou navegavam a remos ou à vela. Sempre que sobrava um tempo para a brincadeira, era na praia do peixe que me juntava aos amigos. Brincávamos às escondidas entre os barcos e tomei muitas vezes banho nu, no mar, frente ao Casino”.

José Guimarães recorda que os miúdos fugiam à “polícia da tabela” (fiscais municipais), que cobravam as taxas a quem ia vender ao mercado: “Eles prendiam os miúdos que andavam descalços. A multa era de cinco tostões. Era uma miséria encardida, a catraiada andava toda com as calças rotas nos joelhos e no rabo. Agora virou moda”.

Nos terrenos das actuais Piscinas Municipais e Academia de Ténis organizavam-se provas de tiro aos pombos, uma alegria para a miudagem. “Juntávamo-nos aos magotes na praia a ver onde os pombos caíam. Era uma correria para chegar primeiro. As dúvidas decidiam-se um a puxar para cada lado ou à porrada. Quem ficasse com o pombo tinha um manjar diferente naquele dia e uma barriga mais farta”, conta José Guimarães.

Do baú da memória não esquece a sua participação no filme Ala-Arriba, de Leitão de Barros: “Na altura das filmagens o tempo estava bom e era preciso simular um temporal. Fomos até ao Largo da Senhora das Dores, amarrávamos cordas às árvores e puxávamos para fazer a vez do vento. O nevoeiro foi feito com carqueja a arder frente ao Casino, na praia, junto ao molhe norte. Também as nuvens eram feitas de fumo. O cineasta filmou isso tudo e pagou-nos dois tostões pela tempestade que criámos”.

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