Geral

Vila de Aver-o-Mar Presta Tributo
Aos Filhos da Terra Que Combateram na Guerra do Ultramar

Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado. Também por isso, a vila de Aver-o-Mar procedeu, com toda a solenidade e alguma emoção à mistura, à inauguração do Monumento de Homenagem aos Ex-Combatentes do Ultramar (1961-1975) que fica perpetuado, desde sábado, no largo da igreja para memória futura.

Cerca de duas centenas de pessoas estiveram presentes nesta efeméride que começou com a realização de uma Missa Solene, presidida pelo pároco de Aver-o-Mar, Joaquim Amorim, seguindo-se a deposição de coroas de flores junto ao monumento, em memória destes homens que deram a vida pela pátria.

Carlos Maçães, presidente da União das Freguesias de Aver-o-Mar, Amorim e Terroso, sublinhou a importância deste acto solene. “Hoje é um dia histórico para Aver-o-Mar. Este foi o local escolhido pelos ex-combatentes para que aqui ficasse perpetuado, ao longo do tempo, a sua memória, o seu sacrifício, e a sua partida para o desconhecido. Quando foram chamados para o Ultramar, os ex-combatentes não conheciam a terra para onde iam e foram arrancados do seio das suas famílias. Foram para uma terra que não era nossa, como o tempo depois veio dar razão. Muitos não regressaram e de Aver-o-Mar lá ficaram dois filhos da terra”.

O autarca acrescentou: “As pedras que compõem este monumento representam o peso do vosso sacrifício e o luto das famílias, que ainda hoje choram por aqueles que nunca mais regressaram. Mas também não nos podemos esquecer das madrinhas de guerra, que desempenharam um papel fundamental no apoio moral e foram o elo de ligação destes homens à sua terra natal. Este era o reconhecimento que faltava em Aver-o-Mar. Por isso, neste dia histórico para esta vila, sou um presidente feliz”.

De seguida, Carlos Maçães leu uma mensagem de Manuel Gomes da Silva, ex-1º cabo do Batalhão de Cavalaria 38-71, em Angola (1972/74). “Um grupo de ex-combatentes da nossa vila, com a colaboração do presidente da União das Freguesias de Aver-o-Mar, Amorim e Terroso, decidiu construir este singelo monumento, de homenagem aos ex-combatentes, para perpetuar às gerações futuras o testemunho daquilo que foi a guerra da nossa geração, a guerra colonial, de 1961 a 1975, em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. A nossa missão era defender e proteger as populações e os seus pertences. Sofremos na carne os horrores de uma guerra injusta e, sobretudo, a ausência da família. Foi a guerra de uma geração obrigada a participar numa confrontação injusta e sangrenta que vitimou de morte aproximadamente 9.000 companheiros e deixou inválidos para o resto dos seus dias mais de 30.000 camaradas. Perdemos companheiros, gritamos de revolta, sofremos privações e medos. Lutamos para sobreviver num meio que desconhecíamos por completo e que nos era hostil. Essas memórias estão bem guardadas em cada um de nós”.

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