Cultura

O Diálogo das Mãos

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Margarida da Conceição de Almeida Santos nasceu em 1946, em Vila Nova de Gaia. Tem o curso complementar de escultura pela Escola Superior de Belas Artes do Porto e é licenciada em Ciências Pedagógicas pela Universidade de Coimbra. Foi professora entre 1968 e 2006. Das suas mãos nascem desenhos, pinturas e esculturas. Fez vários Monumentos de Arte Pública, entre os quais o Major Mota e David Alves. Realizou centenas de obras de autor e dezenas de exposições. Participou em antologias poéticas e publicou os livros “eu amo tu”, “Luz Íntima” e apresentou na casa Manuel Lopes “Fragmentos de uma Biografia Roída”.

A Voz da Póvoa – Como nasceu esta ligação afectiva pela Póvoa?
Margarida Santos – Eu era muito amiga da escritora Luísa Dacosta e passava com ela o mês de Agosto, no Moínho, em Aver-o-Mar. Éramos professoras e começamos a trabalhar juntas, em 1969, na Escola Ramalho Ortigão, no Porto. Herdei também muitos amigos dela, como o Manuel Lopes que era visita assídua do Moinho. A Póvoa é uma herança de vida que eu tive com a Luísa.

AVP – A arte é uma constante construção em aprendizagem?
MS – É uma respiração própria. Eu preciso de respirar e não dou conta que respiro. Eu preciso de criar sem dar conta que crio. Preciso pôr cá fora as minhas emoções e os meus sentimentos, a minha forma de estar. Para não enlouquecer, preciso de construir, de fazer, a arte é isso. Acho que nunca sei, nem o bastante, nem o suficiente e a maioria das vezes penso que nunca sei nada ou o que sei é muito pouco.

AVP – Há a escultura que reproduz o outro, mas também o imaginário?
MS – Desde que nasci que gosto da minha independência. Para fazer aquilo que eu gosto, que é a escultura de autor, tenho que aceitar encomendas públicas, como o Major Mota ou o David Alves, para ganhar o meu sustento escultórico. Depois, no meu atelier, posso fazer as minhas esculturas em bronze, tenham dois ou três metros de altura ou um pequeno formato. Daí que a ‘Esperança’ seja uma obra de autor, ninguém a pediu.

AVP – Como se vê num mundo que parece ser mais masculino que feminino?
MS – O meu ser é desigual. Sou uma apaixonada pela luz e trabalho-a, porque estou obcecada em transmitir uma emoção àquela matéria. Eu pego no barro e ele tem que falar. Enquanto o barro não se transformar numa forma, esqueço completamente o esforço físico, não sou mulher nem homem, sou uma artista à procura de concretizar uma ideia preconcebida. Quando consigo fico realizada.

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